SUPLEMENTO LITERÁRIO

A ILHA

Dezembro/2002

Revista do Grupo Literário A ILHA

 

FELIZ NATAL

 

EDITORAL

TEMPO DE ESPERANÇA

E foi-se o ano de 2001 que não foi um ano bom para o mundo, nem para o ser humano. Arrastou-se, agonizante e, graças a Deus, foi embora. Desconfio até que comemorou-se mais a sua ida do que a chegada de 2002.
E vai-se acabando, agora, 2002, para dar lugar a 2003. Ano novo que espero com muita ansiedade, pois ele chega carregadinho de esperança, essa coisa mágica que empurra a gente pra frente, pra vida.
O ano de 2003 tem a responsabilidade de trazer mais esperança que os outros, pois em 2002 pudemos exercitar o nosso direito de cidadania, de tentar mudar o nosso Brasil, de ter esperença de que ele possa ser melhor. Mais que isso, constatamos que somos capazes de provocar mudanças e essas mudanças podem trazer, oxalá, condições de vida mais dignas para todos. E podemos mais, podemos ser os construtores da paz, que ela depende de nós, pois nós somos o instrumento para que ela aconteça e permaneça.
Então, esse ano novo chega pejado de esperança e de desejo de paz. Ousaria dizer que iniciaremos, nos primeiros dias de 2003, uma nova era: a era da paz. Utopia? Sonho? Mas o sonho é esperança! Se não tivermos sonhos, o que será da esperança?
Que os homens ouçam os poetas, pois a poesia pode torná-los melhor. É ela que, mais do que outro gênero literário, talvez, retrata os sentimentos e as emoções do ser humano. É ela, a poesia, que aguça a nossa capacidade de amar, de sermos solidários, de preservar a vida e a natureza, de cultivar a paz.
Eu queria falar, nesse início de ano, de paz, de esperança, de novos tempos, e não há como falar disso sem falar de poesia. Que a nossa vida tenha mais poesia e que ela nos ensine, sempre e sempre, mais e mais, a viver em paz. (O editor)

 

POEMAS, CONTOS CRÔNICAS DE NATAL

Foi lançada, paralela ao número 83 da revista, uma edição especial do Suplemento Literário A ILHA com poemas, crônicas e contos de Natal de Luiz Carlos Amorim.
A publicação será distribuída junto ao Projeto POESIA NO SHOPPING, do Grupo Literário A ILHA, especial de Natal, exibido nos shoppings das grandes cidades de Santa Catarina.
Também sobre o Natal é a edição do Projeto POESIA NA RUA - out-doors estampando poesia pelas ruas das grandes cidades. Confira.

 

 

NATAL NO CORAÇÃO

Luiz Carlos Amorim

O Natal chegou
em minha casa.
Uma criança,
signo de pureza,
alegria e verdade,
adentrou a minha porta.
Um menino
espírito de luz,
símbolo do amor,
de fé e esperança,
nasceu em meu coração.
É Natal.

 

OS ÚLTIMOS POEMAS
DE QUINTANA

Pego carona em uma grande reportagem de Cleide Klock, da excelente revista Cartaz (Cultura e Arte) – publicada em Florianópolis e distribuída nos três estados do sul – e trago para as páginas do Supl. Literário A ILHA alguns dos poemas do último livro de Mário Quintana, o grande poeta menino do sul do Brasil.
Trata-se da edição trilíngue (português, inglês e espanhol) dos poemas escritos por Quintana para o Relatório Anual do Banco do Brasil de 1994, publicado em 2001, com o título de “ÁGUA”, pela Editora Artes e Ofícios, de Porto Alegre.


O HOMEM E A ÁGUA

Deixa-me ser o que eu sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir...
seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça...
Onde tudo se refaz...

 


USINA DE ITAIPU

Como um riso trancado
o rio explode numa gargalhada
de luz, calor, energia!
Parece até mágica
do Homem da Usina.
(E, se duvidares muito,
daqui a pouco sairão voando
todas as gravatas borboletas...)


FORTALEZAS DA ILHA DE SANTA CATARINA

Os velhos marinheiros meus avós...
Para eles ainda não terminou
a espantosa Era dos Descobrimentos.
Das construções com longos
e intermináveis corredores
que a lua vinha às vezes assombrar.
Nas casas novas
não há lugar para os nossos fantasmas!
E se acabarem as construções antigas,
a nossa história vai ficar sem teto!...

 

PONTE DE BLUMENAU

Entre a minha terra e a tua
Há um ponte de aço.
Desafiando o rio,
Desafiando o vento,
Desafiando a chuva,
Desafiando tudo!

Quem é que me espera,
Que ainda me ama,
Lá do outro lado
Da ponte de aço?


A CIDADE ÁS MARGENS DO RIO

Quando a água reflete
todos os postes de iluminação,
sabe que esta cidade já foi pequena.
Quando vão dormir as bem amadas,
as velhas carolas,
os executivos e os catedráticos,
quando na noite alta
o último boêmio passa cantando
e as meninazinhas há muito tempo dormim,
as águas vão passando...
Na cidade quieta,
só o rio corre dentro da noite.
É a vida continuando pelo mundo...

 


FLORICULTURA NO CERRADO

Quando a árvore não dá frutos
seus galhos se contorcem
como mãos de enterrados vivos,
os galhos desnudos,
ressecos, sem o perdão de Deus!
E, depois, meu Deus,
uma lenta procissão de retirantes...
De vez em quando um tomba,
exausto à beira do caminho
porque não há no lábio o frescor da água.
A doçura do fruto...


CATARATAS DO IGUAÇU

Os rios são caminhos
mais antigos
que a redondeza da terra.
Eles descem horizontes
seguem sozinhos no ar.

E a bela asa em pleno vôo,
entre o partir e o chegar,
sem se importar com fronteiras.
Mas como se há de parar?


PORTO DO SUAPE

No movimento
lento
dos navios
o dia
sonolento
vai inventando variações da luz...
No cais,
os guindastes,
domesticados dinossauros,
erguem a carga do dia.
As coisas também querem partir.
As coisas também querem chegar.

 

PRAIAS DO NORDESTE

Ondas dançando na praia,
Areia quente como o nosso olhar.
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar?
Nós também fazemos parte da paisagem!

 

Quintana morreu em 5 de maio de 1994, aos 87 anos e deixou como herança sua grande obra poética. E faz parte dessa herança, além de tudo o que já tinha sido publicado, os seus pertences pessoais, como livros, prêmios, objetos preciosos como originais manuscritos e datilografados, fotos, correspondências, óculos, críticas e publicações sobre o autor e provavelmente material inédito.
Todo esse acervo foi entregue ao Centro de Memória Literária da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, pela herdeira de Quintana, a sobrinha-neta Elena, para que seja preservado e divulgado.
Um dos poemas manuscritos, encontrados no acervo é:

 

A IMAGEM PERDIDA

Como essas coisas que não valem nada
e parecem guardadas sem motivo
(alguma folha seca... uma taça quebrada...)
eu só tenho um valor estimativo.

Nos olhos que me querem é que eu vivo
esta existência efêmera e encantada...
Um dia hão de extinguir-se e, então, mais nada
refletirá meu vulto vago e esquivo...

E cerraram-se os olhos das amadas,
o meu nome fugiu de seus lábios vermelhos,
nunca mais, de um amigo, o caloroso abraço...

E, no entretanto, em meio desta longa viagem,
muitas vezes, parei... e, nos espelhos,
procuro em vão minha perdida imagem!

 

NATAL PRESENTE

Por Luiz Carlos Amorim

Os enfeites natalinos já estão pela cidade toda, nas ruas, nas lojas, nas casas, nos jardins, os papais noéis já invadiram a televisão, os jornais, as revistas, o rádio e até a Internet. E eu me dou conta de que está chegando o Natal.
Natal, ah, o Natal... essa época mágica de desembrulhar esperanças, de dar de presente carinho, compreensão e amor, de construir e fortalecer a paz e a fé, de engavetar a saudade... Aquela saudade pequena, que vai ficando maior e que vai doendo um pouquinho mais à medida que o Natal vai chegando. Saudade de almas queridas, como do menino aniversariante, inquilinos vitalícios de nossos corações...
E está aí o Natal, o mesmo Natal que, quando éramos crianças, trazia Papai Noel com os brinquedos, trazia a árvore enfeitada, guloseimas e canções. Canções que falavam do nascimento de um menino encantado que tinha o poder de modificar as nossas vidas, se quiséssemos. Ele representava o ano novo que vinha em seguida,a renovação, significava que a vida seria melhor, que nós, seres humanos, poderíamos ser melhores.
Inexorável, vem a adolescência, a juventude e, adultos, vamos deixando aquela esperança mágica de lado, ocupados em sobreviver.
Mas ainda há tempo de ver um raio de luz nascendo no horizonte de nossas vidas, um fio de esperança apontando o futuro. Ainda há um resto de fé se multiplicando, e este é o tempo para multiplicá-lo mais e mais. Porque o Natal é renascimento, é o encontro da paz, é busca do amor: é a comunhão com Deus. É a ternura de um menino nascendo, é um sentimento maior que nós, homens, ainda podemos exercitar.
Há que querermos um Natal completo e por inteiro, um Natal verdadeiro. E o espírito do Natal, que aproxima os homens, pulsará em todo ser. E brilhará nos olhos de toda criatura, luz a colorir a vida, a semear a paz, sonhada e perseguida. E estará nas mãos de todas as pessoas, carinho a semear ternura. E soará dos lábios de cada um, canção a propagar a fé. Isto é o Natal do coração, presente maior que podemos ter.
Temos a mania de dizer, nós os adultos, que o Natal perde a graça, depois que crescemos. Mas temos que resgatar o nosso eu-criança em algum cantinho, temos que continuar sendo um pouquinho criança para não deixarmos de festejar com a alma e o coração o nascimento do menino Deus, o aniversário do Homem de Nazaré. E haveremos de dizer uma prece para comemorar-lhe a grande data e pedir-lhe a bênção neste Natal... E o Natal terá o seu sentido pleno.

 

NOITE DE LUZ

Aracely Braz

Nosso céu continua azul,
o sol aquece e ilumina;
a flor do jacatirão
desabrocha em toda a mata,
prenunciando a festa maior!

Todos se preparam
para o Natal;
contudo, a gente sente
tristeza no caminhar.
Tantos irmãos injustiçados
por maldades, sem razão!

É preciso que vivamos
e respeitemos
esta noite sem igual,
noite de luz e reflexão.
É o Natal do Menino Deus
Que deu a vida
para nos dar a chance
de festejarmos
todos os Natais,
de aprendermos, sempre,
sobre o amor.

 

GUIDO WILMAR SASSI EM "Ô CATARINA"


Saiu, em setembro, o número 53 do jornal "Ô Catarina", da Fundação Catarinense de Cultura, uma edição especial todinha sobre o escritor catarinense Guido Wilmar Sassi, falecido em 05 de maio de 2002. Um farto e rico material sobre o grande autor, que deveria ser usado para comemorar o seu 80º aniversário, em setembro de 2002. Infelizmente, transformou-se em homenagem póstuma.
Consta de uma grande e abrangente entrevista dada por Guido em 1990, até então inédita, em que ele se revela por inteiro, de alma e coração; de uma seleção de três contos do escritor e um artigo de V. Gonçalves, saudando o lançamento do romance "São Miguel"; de um texto de Silviera de Souza, sobre sua amizade com o homenageado, e um de Marcial V. C. Frozza, pesquisadora do universo literário de GWS. E, finalmente, uma lista dos livros de sua preferência publicados no século passado. A entrevista está transcrita no portal PROSA, POESIA & CIA. do Grupo Literário A ILHA, em Http://planeta.terra.com.br/arte/prosapoesiaecia, na seção AUTORES DE SC.

 

PAPAI NOEL ÁS AVESSAS

Carlos Drummond de Andrade

Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.
Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.
Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.

 

A poesia está em todo o lugar

“Poesia é brincar com palavras, como se brinca com a bola, papagaio, pião. Só que bola, papagaio e pião, de tanto brincar se gastam. As palavras não: quanto mais se brinca com elas, mais novas ficam”, define o escritor José Paulo Paes. E foi com este objetivo que as crianças das turmas de 4ª série da Escola Municipal Anna Maria Harger, no bairro Guanabara, em Joinville, produziram as próprias poesias em sala de aula.
O resultado de um mês de muito trabalho, foram quatro livros bastante interessantes: “A poesia está no ar, está em todo o lugar”, “Viagem ao mundo da poesia”, “Festa da poesia” e “Crianças poetas”. A idéia das professoras Rosangela Borges Wiemes e Mirângela Outeiro foi resgatar a imaginação, a fantasia e o sonho, que deveriam estar presentes durante toda a infância, ensinando a garotada a apreciar, ler e escrever a arte da poesia. Não é à toa que a professora Rosângela é também poeta, com muitos poemas publicados em jornais, revistas e antologias e está com seu primeiro livro de poesia infantil para ser publicado.
”Ter sonhos significa estar vivo. Imaginar e fantasiar são habilidades que devem ser alimentadas nas crianças, pois é necessário criar oportunidades para a continuidade do sonho, da fantasia e da criatividade”, definem as professoras. Os alunos-poetas aprenderam a ler e escrever poesia, através de histórias, dramatizações, música, desenho, reflexão e sentimentos. Na última semana, as crianças reuniram os pais na escola para o lançamento dos livros com um recital de poesias.

 

Xampu para Paixão


Luiza Lopes Bandeira


Uma gota de amor
Duas doses de felicidade
Um dia de sonho
Com chocolate. Uma vida de moça
Cheia de alegria
E um rapaz cheio
De espinha Uma vida de bruxa
Com vassourinha
E uma vida morcego
Com morceguinha. Terror à noite
De lanterninha
Uma bruxa
Sozinha
E com três pés de galinha.

 

Criança


Andrieli Rubia Floriano


A cidade ideal para uma criança
Tem brinquedos, árvores para subir
E cortar frutos
Tem animais
Que são seus amiguinhos
A cidade ideal para uma criança
É aquela cidade que tem
Alegria, carinho e educação
E de tudo que uma criança precisa
A cidade ideal para uma criança
É onde não há drogas e violência
A cidade ideal para uma criança
E onde tem paz e união
No coração das pessoas

 

LAURO JUNKES RECEBE TROFÉU
"BARRIGA VERDE"

Lauro Junkes é doutor em lingüística e letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), professor de literatura catarinense na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e autor de quase uma dezena de livros, entre coletâneas, ensaios e crítica. Destacam-se “Presença da Poesia em Santa Catarina” (Editora Lunardelli), “A Literatura de Santa Catarina -Síntese Informativa (EdUFSC) e “O Mito e o Rito” (EdUFSC). Pesquisador há 30 anos, Junkes recebeu, na abertura do 7º Encontro de Escritores Catarinense e 1º Fórum Brasileiro de Literatura, em Itajaí, o Troféu Barriga-verde, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE/SC) e concretizado pelo ex-presidente da entidade, escritor Enéas Athanázio.
O Professor Lauro Junkes lamenta o reduzido espaço que a mídia impressa vem dedicando à crítica literária nos últimos anos. De acordo com ele, as análises de livros ajudam a democratizar o trabalho do escritor. “Quando não falamos da literatura, de certa forma, ela deixa de existir, passa a ser elitizada e deixa de ser comungada e sociabilizada com o leitor comum”, diz ele. Junkes é o organizador dos dois volumes que reúnem toda a obra de Luiz Delfino,publicados pela ACL.

- O senhor professor está sendo homenageado, com o Troféu Barriga-verde, o que significa esta premiação?
Lauro Junkes - Talvez seja o reconhecimento de minha dedicação à literatura catarinense, pois são mais de 30 anos de estudo. Os meus últimos trabalhos foram a publicação, no final do ano passado, da “Poesia Completa do Luiz Delfino” (Editora Academia Catarinense de Letras). Juntei todos os 14 livros de poemas do Delfino e trabalhei arduamente.

 

AS CANÇÕES DE MÁRIO QUINTANA

O Natal foi diferente
porque o menino Jesus
disse à Senhora Sant’Ana:
“Vovozinha, eu já não gosto
das canções de antigamente;
Cante as de Mário Quintana!”
Viram-se então os anjinhos
de livro aberto nas mãos
deslizar no ouro dos ares.
Estudaram novas solfas
pelos celestes caminhos
¾ e cantaram quintanares.
Deixaram cair os versos
que já sabiam de cor
pelos telhados das casas.
E o milagre das cantigas
foi que até os seres perversos
amanheceram com asas.

 

ENCERRAM-SE AS COMEMORAÇÕES EM HOMENAGEM AO CENTENÁRIO DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

DRUMMOND NO CALÇADÃO - Culminando as comemorações do centenário do poeta Carlos Drummond de Andrade, que morou no rio por aproximadamente 50 anos, o prefeito César Maia inaugurou, num banco do calçadão de Copacabana, uma escultura do poeta, feita em metal e do tamanho natural.

SELO - Os Correios também estão fazendo parte das comemorações e emitiram um selo comemorativo para homenagear Drummond, que completaria 100 anos no dia 31 de outubro. O selo traz uma composição de três imagens: a cidade de Itabira, o Rio de Janeiro e o retrato de Drummond. O enfoque das cidades tem como objetivo assinalar o divisor da obra do poeta: Itabira na poesia e o Rio de Janeiro na crônica. Os versos pertencem a um de seus primeiros poemas, em que o autor se autodefine: “Quando nasci, um anjo torto/ desses que vivem na sombra/ disse: vai Carlos! ser gauche na vida”.

FILME, PEÇA E LIVROS - Uma peça de teatro e um documentário, além de algumas publicações,também homenagearam o artista. O filme “O Poeta de Sete Faces” estreou em circuito comercial no dia primeiro de novembro, depois de ser exibido na 26ª Mostra BR de Cinema, em São Paulo. O documentário investiga e interpreta os diversos momentos da sua vida, fazendo um retrato lírico da trajetória do poeta. No teatro, o Grupo de Dança Primeiro Ato estreou no dia 31de outubro, em São Paulo, o espetáculo “Sem Lugar”, inspirado na vida e obra do poeta mineiro. As cartas do poeta a sua filha Julieta deverão ser publicadas no ano que vem pela Editora Record, responsável pelo lançamento em 2001 do projeto de reedição da obra completa do artista. Outra publicação prometida ainda para este ano é “Carlos & Mário”, da editora Bem-Te-Vi, que reúne as cartas trocadas entre Drummond e Mário de Andrade. Carlos Drummond de Andrade morreu de problemas cardíacos em agosto de 1987 aos 85 anos, deixando três obras inéditas: “O Amor Natural” (poemas eróticos), “O Avesso das Coisas” (aforismos) e “Moça Deitada na Cama” (crônicas).

 

SONETO DE NATAL

Machado de Assis

Um homem, - era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto... A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
”Mudaria o Natal ou mudei eu?”

 

HEMINGWAY: TESOURO LITERÁRIO

Eles abriram as portas que levam ao porão secreto e lançam nova luz sobre a vida de Ernest Hemingway. Na escuridão embolorada pela umidade tropical e rodeada pelas armas e troféus de caça do escritor, a delegação de quatro americanos encontrou o que considera um prêmio da loteria: gavetas de arquivos e caixas com milhares de páginas de manuscritos originais escritos por Hemingway, rascunhos e sobras de grandes trabalhos, cartas de amor e ódio, anotações em inglês e espanhol e milhares de fotografias. Naquele dia, revelou-se o que promete ser, segundo os acadêmicos, um dos mais importantes achados da história da literatura moderna americana.
O tesouro escondido daria aos estudiosos e biógrafos uma compreensão maior e mais completa do terço final da vida de Hemingway, que foi passada em Cuba. O hiato no conhecimento sobre esse importante período sempre atormentou aqueles que estudam o ícone americano, que se matou em 1961, no Idaho. Agora, eles conseguiram novo material para investigar, incluindo o que parece ser um final alternativo para Por Quem os Sinos Dobram.
Um projeto novo, esforço ambicioso para microfilmar, digitalizar e preservar seus papéis será lançado oficialmente ainda no final deste ano.

 

CARTÃO DE NATAL

João Cabral de Melo Neto

Pois que reinaugurando
essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.

 

NOVO LIVRO DE URDA


A Editora Hemisfério Sul acaba de lançar um novo livro da escritora catarinense Urda Alice Kluege, “No Tempo da Bolacha Maria”.
Trata-se de um livro de crônica memorialista, abrangendo as décadas de 1950/60/70.
A autora, além de um dos maiores nomes do romance no Estado, também já deu mostras da grande cronista e contadora de histórias que é, com livros como “Crônicas de Natal - Histórias de Minha Avó”, publicado no ano passado.
E vem aí o romance sobre os Sambaquianos.



EXPEDIENTE

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA Nº 83- Dezembro/2002 - Ano 22
Editor: Luiz C. Amorim
Endereço para contato:
E-mail: lc.amorim@ig..com.br
prosapoesiaecia@yahoo.com.br

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