SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Edição impressa

Veja também a edição especial do Suplemento Literário A ILHA 124-A, com

escritores brasileiros que participam do Salão Internacional do Livro de Genebra.

Clique aqui: Edição impressa A ILHA 124-A-maio de 2013

 

 

GRUPO A ILHA ULTRAPASSANDO FRONTEIRAS

É março e o ano começa, de verdade, ágora. E o Suplemento Literário A ILHA também volta com esta nova edição, iniciando o ano literário em Santa Catarina.
Logo mais, em abril, o Grupo Literário A ILHA participa da Feira do Livro de Joinville, com o lançamento desta edição da sua revista e do livro "O rio da Minha Cidade", crônicas deste editor. Em maio, o Grupo estará participando do Salão do Livro de Genebra, com o lançamento desta revista e dos livros "Nação Poesia" - antologia poética, "O Rio da minha cidade" - crônicas e "Borboletas nos Jacatirões" - crônicas. Também participaremos, na Suiça, do lançamento da terceira antologia do Varal do Brasil, pois dois integrantes do Grupo Literário A ILHA estão presentes naquele livro.
O Grupo Literário A ILHA continua na sua caminhada, integrando cada vez mais escritores, sejam eles catarinenses ou não. Para o 33º aniversário, em Junho, o lançamento de mais um volume da coleção Letra Viva.
Até junho, com uma edição especial de aniversário e muitas outras novidades para comemorar os nossos trinta e três anos de atividades literárias e culturais.

 


DESEJO

Célia Biscaia Veiga

Eu me vejo perdida em pensamentos
Que me levam para longe de onde estou,
Dificultando, às vezes, minha volta.
Não sei dizer exatamente onde vou,
Pois é um lugar indeterminado
No espaço, no tempo, na razão.
Não sei determinar se isso é um sonho
De sono ou se é um sonho de vigília.
Talvez seja só um sonho liberado
Dentro apenas da imaginação,
Que mesmo ligada à caixa cerebral
Tem a capacidade de expandir
E me levar onde meu corpo não consegue ir.
E assim, quando consigo regressar,
Eu fico me sentindo renovada
Com pensamentos que acompanham
E procuram desenvolver
As novas ideias encontradas,
Alimentando minha mente
E despertando um forte desejo
De, sofregamente, ler um outro livro.

 

 


O FUTURO DO LIVRO


Por Enéas Athanázio


É frequente a afirmação de que o livro impresso em papel está com os dias contados e deverá desaparecer. Superado pela Internet, iria aos poucos desaparecendo até sua extinção total. Embora tal previsão já venha de muitos anos, não é isso que está acontecendo. Nunca se publicaram tantos livros em todo o mundo, inclusive no Brasil e aqui no Estado, como nestes últimos anos. Aqui em Santa Catarina, por maior que seja o esforço, se tornou impossível acompanhar e comentar tudo que é lançado. E o mais interessante é que proliferam em toda parte os volumes encorpados, calhamaços com numerosas páginas, quando se dizia que não haveria público para essas publicações em virtude da falta de tempo dos leitores de hoje.

Causou forte impacto, em dias recentes, a entrevista do americano William Joyce, autor e ilustrador de livros infantis, homem envolvido há muito tempo com a parafernália informática e até mesmo produtor de aplicativos que tiveram larga repercussão. Para surpresa de muitos, ele fez uma enfática e apaixonada defesa do livro impresso, afirmando não acreditar na morte do livro mas, ao contrário, na sua evolução. O livro impresso jamais irá morrer - afirmou, - mesmo porque a tendência é transpor para o livro impresso outras formas de expressão, inclusive como meio mais seguro de conservá-las. "Um livro pode ser molhado, e ainda poderá ser lido - disse ele. - Ele pode cair no chão, e ainda poderá ser lido. Seu cachorro pode mastigá-lo, e ainda poderá ser lido. E tem mais: ele nunca ficará sem bateria." E mais adiante: "Fazer um livro é complicado, mas menos complicado do que fazer um filme, um game, um aplicativo ou outras formas de contar uma história. É mais simples por uma razão essencial: você depende só de si mesmo." Diante disso, - confessa, - tudo que faz no estúdio vê inicialmente como livro, já prevendo seu destino final.

A resistência ao livro e à leitura é antiga, em especial no Brasil, onde pouco se lê. É consequência da lei do menor esforço porque a leitura é uma atividade a dois - o autor e o leitor. Exige concentração e algum esforço, certa dose de imaginação e curiosidade. Não é possível ler ouvindo rock ou som em volume elevado, com a televisão ligada ou uma turma conversando ao redor em voz alta. É mais fácil e cômodo receber tudo pronto e acabado através de um filme, dispensando qualquer esforço de imaginação. Basta olhar. Além disso, o vocabulário mediano das pessoas ficou tão restrito que se torna difícil entender os textos escritos. E por isso muita gente não lê e nem ao menos experimenta, sem suspeitar do que está perdendo.

Por outro lado, o livro é um repositório de conhecimentos e de artes de toda espécie e de grande durabilidade. Olhando para minha estante, avisto ali os "Urupês", de Monteiro Lobato, em sua primeira edição, de 1918, e, mais adiante "Os Sertões", de Euclides da Cunha, lançado em 1902. O primeiro se aproxima de um século e o segundo conta com 110 anos de vida! Sem nenhum esforço, exceto o gesto de apanhá-los, posso penetrar, a qualquer momento, no mundo maravilhoso dos contos lobatianos ou recordar a bárbara epopéia de Canudos. E não precisarei de energia elétrica, nem de fios, teclados, monitores e toda a barafunda criada pela informática. Nem precisarei ouvir recados, em voz neutra e impessoal, informando que "as definições de vírus foram atualizadas" (sic) ou que aguarde a manifestação do "responsável pela edição do nosso conteúdo" (sic) ou, ainda, que "há ícones não usados na área de trabalho" (sic), além de outras frases esdrúxulas e destituídas de sentido, usando muitas vezes palavras que sequer existem. Ainda por cima, para completar, não precisarei pagar nenhuma fatura no fim do mês.

 

 


MEU RIO


Apolônia Gastaldi

Meu rio
Tornou-se águas serenas
Quando a represa chegou
As águas assim paradas
Num lago se converteram
Assim tão calmas
Tolheram meus sonhos
Meu coração transbordou
Não de encantamentos
Pois as águas serenas
Cobriram meus sonhos
E nada mais floresceu
Nem o sabiá peito-laranja
Que vinha me visitar
Nunca mais apareceu
Até as brancas boninas
Florindo as margens
Pintando os verdes
Fecharam seus sinos de seda
O perfume morreu.
Meu coração transbordou
Transbordou de muitas tristezas
Das lembranças e sonhos meus
As águas cobriram tudo, fecharam
Meu coração transbordou.

 

 

VISÃO DO INFINITO

Clarice Villac

a visão do infinito
é coisa de instante
transcende toda palavra
só percepção silente
experiência bem sutil
íris felina gentil
nessa vida palpitante
prana brilhos na manhã
volteando como abelhas
em movimentos de luz
expandindo as centelhas
na emoção verdadeira
da pessoa sendo inteira
entre todas as estrelas
como um espelho de Escher
em que tudo é relativo
microcosmo, macrocosmo
imbricamento ativo
como um sonho acordado
real multifacetado
sinto o infinito vivo.

 

 

 

VALORIZAÇÃO DA CULTURA EM FLORIANÓPOLIS


Por Luiz Carlos Amorim

Quando o atual prefeito de Florianópolis assumiu a Fundação Catarinense de Cultura, fiz questão de escrever um artigo colocando fé na atuação dele. Pena que o tempo foi pouco frente àquela entidade, então não deu pra fazer muito.Agora que ele assumiu a prefeitura, quero reafirmar a esperança de que ele atue firmemente para resgatar a cultura em Florianópolis. Há muito a ser feito, pois a cidade esteve abandonada em todos os sentidos nesses últimos anos.
Então eu peço a atenção do prefeito para a Cultura. A Fundação Franklin Cascaes tem alguns editais em ser, para teatro, dança, oficinas de arte. Mas não havia nada específico para a área de literatura. Ano passado, finalmente, foi criado o Edital de Apoio às Culturas, através do Fundo Municipal de Cultura e da Fundação de Cultura Frankin Cascaes, equiparando finalmente a capital a outras tantas cidades do Estado que já tinham seu edital de cultura.
Em 2012 houve uma edição do edital de cultura de Florianópolis, embora tenha sido pouco divulgado. O edital, que é uma seleção pública para a concessão de recurso financeiros para projetos artísticos e culturais, teria contemplado as seguintes áreas: Artes Visuais; Música, Dança, Teatro, Leitura, Literatura e Livro, Circo, Cultura Popular, Cultura Afro-brasileira e Negra, Cultura Guarani e Patrimônio Cultural. Um edital que se dedica, também, ao fomento da leitura, literatura e livros.
Então, senhor prefeito, contamos com a continuidade desse edital, contamos com uma edição dele a cada ano, daqui pra frente, contamos com mais incentivo à cultura em Florianópolis.
O senhor representa uma esperança para a cultura da cidade. O senhor sabe quantos grupos e associações literárias existem na cidade? Quantos escritores? Quantas publicações literárias? Contamos com o senhor e estamos à disposição para ajudar, se preciso for.
Chamo, também, a atenção do senhor prefeito para a Câmara Catarinense do Livro, que precisa do apoio do Estado e do município para fazer uma boa Feira do Livro. Também as feiras do livro de Florianópolis estão fraquinhas, enquanto as de Jaraguá do Sul, de Joinville e de outras cidades tem se revelado grandes eventos culturais, trazendo convidados de renome nacional e agregando muitas atrações paralelas. A capital precisa de uma grande feira do livro.
E parabéns pela reativação do Projeto "Floripa Letrada".


 

 

DESCONTENTAMENTO


Jacqueleine Aisenman


Não quero suas palavras prontas
e nem sorrisos encomendados
mensagens programadas
frases tontas
e olhares enganados.
Sejamos por uma vez,
verdadeiros.
Sejamos desta vez,
inteiros.
Nada de fingir pra passar momentos
nada de fingir que estamos só passando o tempo.
A felicidade não chegou, e agora?
Brincar com isto ou só jogar o resto fora?
Não quero mais fazer de conta
e nem quero votos obrigados
coisas que remontam
a sentimentos estragados.
Sejamos de uma vez
certeiros
deixemos de ser
carcereiros
das verdades caladas
fingindo gostar
das mentiras contadas.

 

 


A CIDADE ESTARRECIDA



Norma Bruno

Diante das últimas notícias, eu me pergunto: onde estávamos nós enquanto a violência germinava em nosso chão? Onde estão agora as lideranças que se prontificaram a governar a Cidade, e o Estado, que se dispuseram a zelar pela segurança e a paz dos cidadãos? Em campanha, todos, sem exceção, apresentam-se como conhecedores dos problemas de Florianópolis, e de Santa Catarina, qualificados e determinados a gerenciá-los. Mas o que vimos nos últimos dias foi um desfile de "autoridades" com o olhar atônito e um repertório de soluções paliativas e respostas vagas, demonstrando total despreparo e incompetência para lidar com a realidade. Inacreditável que esteja acontecendo em Florianópolis, bela, hospitaleira, minha cidade, minha aldeia, mas é a mais pura verdade: a ordem para a suspensão do estado de terror foi decisão daqueles que o decretaram.
Diante disso, penso que deveríamos, como cidadãos, exigir do novo prefeito, dos vereadores, os novos e os reeleitos e, ainda que tardiamente, também do governador, que assumam o compromisso gravado pela Juventude Ateniense:
"Nunca traremos desgraça para a nossa Cidade, por nenhum ato de desonestidade ou covardia, nem jamais abandonaremos nossos companheiros sofredores. Lutaremos pelos ideais e pelas coisas sagradas da Cidade, isoladamente ou em conjunto. Respeitaremos e obedeceremos às leis da Cidade e tudo faremos para despertar respeito e reverência naqueles que, estando acima de nós, inclinam-se a reduzi-las a nada. Lutaremos incessantemente para estimular a consciência do cidadão pelo dever urbano. Assim, por todos esses meios, transmitiremos essa Cidade, não menor, porém maior, melhor e ainda mais bela do que nos foi transmitida".
Quantos de nossos governantes teriam coragem de assumir o compromisso? Quantos são capazes de cumpri-lo?

Nota do editor: texto publicado no blog da autora por ocasião dos primeiros atentados, em novembro de 2012.

 

 


O ESCRITOR

Karine Alves Ribeiro

Às vezes sou máquina de escrever,
às vezes sou só inspiração
que ninguém lê.

Às vezes quero só parar no tempo
esperando o entardecer,
ou sentar sobre o muro
comendo amendoim.

Às vezes quero ser o homem
que percorre o mundo num balão,
astronauta na lua,
ou geofísico na Antártida.

Mas, quase sempre, sou mesmo
é o milésimo dormente da estrada de ferro
da minha cidade natal.
Onde ainda espero o trem passar
e me levar para as cores do mundo...
Para esquecer o frio,
todo pequeno pensamento,
o medo, a aridez, o sofrimento.

Chamo minhas mãos, novamente
e as mergulho na tinta azul
para escrever mais um poema...

E depois que o sol se apagar,
a água secar
e o homem se acabar?

Ainda existirão os versos
procurando uma rima
para se casar.
Vão achá-la nas coisas belas,
no amor, pode apostar!

 

 


LITERATURA INFANTO-JUVENIL


FUTEBOL NA FLORESTA


Else Sant'Anna Brum

Um dia o leão, que é o rei dos animais, assinou um decreto para que os bichos da floresta formassem seus times de futebol, pois ele queria promover um campeonato.
Foi um reboliço, mas em pouco tempo apareceu o resultado. Bichos grandes e pequenos logo se estruturaram. O presidente do time dos macacos propôs que houvesse um desfile para a apresentação das equipes.
- É claro, falou o papagaio Galvãozinho, onde se viu campeonato sem desfile de abertura? E foi logo se promovendo a locutor oficial.
No dia do desfile, o sol espalhou bem cedo seus raios no grande estádio que o leão mandou construir. Era um espaço grande com largas arquibancadas e árvores para abrigar torcedores de espécies que não jogavam, como pássaros, os insetos e os bichinhos miúdos.
Nas arquibancadas as bandeiras eram agitadas ao som de alegres fanfarras. Era bonito ver o esmero dos participantes tanto nos uniformes coloridos como no modo de desfilar.
O rei assistia a tudo, satisfeito por ter tido tão bela idéia. Após o desfile ele fez um pequeno discurso e declarou abertos os jogos que duraram três dias.
Galvãozinho lá estava de microfone em punho irradiando os jogos, comentando sobre a alegria das torcidas que vibravam pelos jogadores. Tudo no maior respeito. Um time que se destacou foi o dos burros. O goleiro, um burro bonito e forte com calção preto e blusa branca, chamava a atenção pela elegância.
Ao ser entrevistado falou com toda a modéstia:
- Ora, ora, eu sou um burro, mas sou esperto!
E sabem de uma coisa? O time dele foi campeão e ele ganhou a medalha especial de melhor goleiro do campeonato.
- Ai, disse a girafa esticando ainda mais o seu comprido pescoço, este mundo está virado! Imaginem, um burro ganhando medalha!
Leãozinho, o príncipe da floresta, falou para a dona girafa:
A senhora está precisando conhecer a diferença entre burros e burros!

 

 


VONTADE DE CONSTRUIR PALAVRAS


Marcos Antonio Meira

Como se madeira eu entalhasse
Teus contornos - o molde
Palavras novas
Nuca dantes ditas
Para fugir da imutabilidade
Do outro em nós
Ser apenas eu e tu
Ser apenas
Ser
Apenas
E nessa construção
Reinventar um sentimento
Para que entendas a minha língua
Para que abrigues o meu erro
Para que asiles o teu engano
Que...
O meu desejo -
Sem pressa
Sem pânico
Sem outros planos
Sem outras máscaras
Apenas eu e tu
Apenas
Construir palavras
Que nem percebas
Que tem endereço certo:
O bater do teu peito
Na minha mão
Vontade de construir castelos
De areia e pedra e cal
Pintar um sonho
E entregar-te
Sem mistérios
Sem medo
Sem (pre) conceito
Sem tempo
Do teu sorriso na minha boca
Da minha boca no teu sorriso
Erguer casas sem paredes
Tetos de vidro
Pisar em estrelas
Acariciar o teu chão
E te fazer ouvir músicas
Com o meu silêncio
Acordes breves
Sonhos longos
Em cada fase da lua
Em cada novo amanhecer
Uma nova palavra
Um novo gemido
Olhar nos teus olhos
(O mundo não vai entender)
E aprender a ler
Como se artesão fosse
O momento

 

 


FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE


por Mary Bastian


Vamos ter mais uma edição da Feira do Livro em Joinville. Muito bom, quanto mais livros à disposição, melhor. O povo está muito focado nos eletrônicos, na internet, no iPod e outros bichos novos e assustadores. Acho que a dificuldade com os novos aparelhos não é só minha, que o máximo que consegui ter na minha infância foi um radinho de pilhas, o que já era um enorme progresso.

Quando fui fazer datilografia (sabem o que é isto?) para arranjar um emprego, antes de me formar, achei que seria ótimo se a gente não precisasse colocar uma folha de papel na máquina nem apagar quando errasse. Era um sufoco, mas se não soubesse "bater à máquina", adeus pretensão de emprego. E quando a coisa escrita precisava de cópia? Já tentaram colocar duas folhas com um papel-carbono entre elas? E se a gente colocasse o dito ao contrário? Jesus querido, nem pensar na cara do chefe.

Mas acho, do fundo do meu coração, que o computador é uma grande invenção, inclusive porque te livra de levar uma carta até o Correio. É só clicar e lá vai o recado, a cartinha amorosa, a pergunta para a pessoa que nos interessa. Claro que nem sempre temos resposta, mas vale a intenção.

Há pouco tempo, me fizeram entrar no Facebook. E ainda não vi muita utilidade nele. Pode ser que aos pouquinhos eu me acostume. Prefiro o e-mail, que é mais reservado. Coisa de quem já dobrou o cabo da Boa Esperança e não gosta muito de exposição.

Mas voltando à Feira do Livro, por mais tablets que inventem, acho que os livros sempre terão o seu lugar no pódio, pois não vejo nada que se compare a pegar um livro, grande ou pequeno, passar suas folhas carinhosamente, ler com prazer o que está escrito, reler o que achou mais interessante ou o que não entendeu, se emocionar com o texto a ponto de chorar ou de rir.

Amo os livros desde criança, e guardo com carinho os que mais me agradaram, apesar de o cheiro de coisa antiga me dar uma tremenda alergia. Já passei para as netas quase tudo que eu tinha, e quando me mudei pra cá, fiz uma seleção e dei um carrinho grande de supermercado cheio de coisas lidas e relidas e apreciadas. Ou esperar a feira para pesquisar as novidades, principalmente na área infantil, e visitar os amigos escritores que estiverem lá.

 

 


UMA FURTIVA LÁGRIMA


Maura Soares

Não olhaste fundo nos meus olhos,
senão terias visto uma furtiva lágrima
a rolar por tua partida.
A lágrima, sentida,
rolou silenciosamente como rolam
as que caem no peito apaixonado.
Partiste como partem os marinheiros
para outros mares.
Aqui fiquei como em tantas vezes,
junto a outras mulheres no cais,
na despedida dos seus homens
e na espera dos seus retornos,
mas a furtiva lágrima era a da despedida total,
de um amor que se recusa a calar
e que ficará guardado no coração.
Partiste sem promessa de voltar.
Tens o teu porto seguro
e lá colocarás a âncora do teu navio.
Lá naquele cais, onde tantas vezes aportaste,
está a tua morada.
Eu aqui, sou nada, apenas mais um amor fugidio que,
embora tenha sido louco, alucinante,
restou apenas a dor daquela que poderia,
se quisesses,
ser tua eterna amada-amante.
Restou, no entanto, uma furtiva lágrima
e um grande sentimento de amor...

 

 

 

É LAGUNA!

Maria de Fátima B. Michels

Não há galos
nas redondezas.
Bem-te-vis já tecem
a madrugada.
Aguardo, espreito,
com a máquina ao alcance
de um bote rápido.
Ainda friozinho,
o ar passeia na varanda.
Por trás dos prédios,
já se espalha o vermelhão.
Chego até a sacada.
Lá vem!
Ele soberano e eu,
colhendo seu esplendor
uma, duas, vinte,
quarenta vezes!
Tento roubar cor e frescor
desta praiana manhã...
É Laguna!

 

 


AS VELHAS PÁSCOAS

Por Urda Alice Klueger

Fico entristecida quando vejo o que a sociedade de consumo fez com a Páscoa: para a maioria das pessoas, hoje, Páscoa significa ir aos supermercados disputar ovos de chocolate anunciados como os mais baratos do Brasil, muitas vezes levando junto as crianças para que elas próprias escolham sua marca preferida. A magia e o encanto da Páscoa se dissiparam paulatinamente com o avanço do progresso, e eu tenho uma saudade imensa daquelas maravilhosas Páscoas da minha infância, tanta saudade que vou contar como eram.
Na verdade, a Páscoa começava muitos meses antes, quanto, em cada casa, as mães quebravam cuidadosamente só a pontinha de cada ovo usado, para guardar as casquinhas vazias. Elas eram lavadas, secas e armazenadas, e só de olhá-las já se criava uma expectativa a respeito da Páscoa.
Ainda antes da Semana Santa já se começava a preparar a Páscoa. Cada casquinha era decorada, e as formas eram muitas. Podia-se pintá-las com tinta a óleo ou outras tintas apropriadas que existiam, que lhes davam lindas cores vivas, ou podia-se decorá-las com tiras e tiras de papel de seda ou crepom picotados, que as deixavam com uma cara de gostosas! Essas eram as formas mais fáceis de decorar casquinhas - havia outras, é claro, mais sofisticadas, e resquícios delas ainda aparecem nas lojas especializadas nesta época do ano. Paralelamente à confecção das casquinhas, se faziam as cestas, usando papelão e muito papel colorido picotado e encrespado, serviço para noites e noites à volta do rádio. Algumas crianças tinham a felicidade de possuir cestinhas de vime, que eram reaproveitadas a cada ano.
Era necessário, também, preparar o amendoim, que a gente comprava com casca, descascava, torrava, tirava as pelezinhas, para depois a mãe da gente confeitá-lo com calda de açúcar, ato que por si só já gerava uma grande magia, com a criançada toda em torno do fogão prendendo a respiração para ver se a calda "dava ponto". Depois era hora de encher as casquinhas, e fechá-las com estrelinhas de papel coladas com cola de trigo. De noite, misteriosamente, tudo sumia: o Coelho levava as guloseimas e as cestinhas embora para sua toca.
Faziam-se, também, os ovos cozidos pascoais. Colava-se folhinhas de avenca, de rosa, etc (com clara de ovo) em ovos frescos, os quais eram amarrados dentro de trouxinhas de pano e depois cozidos em águas com plantas que lhes davam cor. Marcela, casca seca de cebola e capim melado produziam ovos de três tons de amarelo; a batata de cebolinha vermelha produzia ovos vermelhos. Depois do cozimento, tirava-se a trouxinha e as folhas, e se obtinha belos ovos decorados para serem comidos no café da manhã de Páscoa.
Ah! A manhã de Páscoa! Na véspera, as crianças tinham feito seus ninhos, com palha ou capim, ninhos enfeitados com pétalas de flores e papel colorido picado, escondido no jardim. O despertar na manhã de Páscoa era uma loucura: corria-se para fora de casa ainda de camisola, a procurar o que o Coelho deixara. No ninho sempre havia alguma coisa, mas havia coisas também, escondidas em todos os cantos possíveis. Acontecia de a cesta da gente estar escondida dentro do galinheiro (todos tinham galinheiros nessa época), e aí havia outra surpresa: as galinhas brancas estavam azuis, ou verdes, resultado de paciente trabalho dos pais, durante a noite, que lhes pintara as penas com anilina. Nós não tínhamos vacas, mas nas casas onde as havia, as partes brancas do pêlo delas também eram coloridas com anilina, e tudo aquilo criava um encanto muito grande nas nossas mentes infantis. Era um ser maravilhoso, esse Coelho!
Nas manhãs já frias de Abril, voltávamos para casa com as cestas cheias de casquinhas e alguns espetaculares chocolates (chocolate, na época em que eu cresci, só era comido no Natal e na Páscoa), que eram contados e divididos igualmente entre todas as crianças. Ia-se à Igreja, a seguir, à missa das nove, e o ar fino e já frio de Abril estava totalmente impregnado de uma profunda magia, e a gente não via a hora de voltar para casa para começar a comer as guloseimas! Primos vinham brincar, nestas tardes de um tempo em que a Páscoa era tão maravilhosa, e a gente criava cenários fantásticos nos gramados verdes, onde os coelhinhos de chocolates e os ovos eram personagens.
Ah! Que pena que o espaço está acabando! Quanto, quanto ainda queira falar sobre as antigas Páscoas! Mas acho que já deu para dar uma idéia de que elas eram muito diferentes da Páscoa que a sociedade de consumo criou: qual é a graça de levar as crianças aos supermercados para escolher seu tipo de ovo preferido? Onde ficou a magia da espera e do Coelho?

 

 

IN EXTREMIS - 1


Júlio de Queiroz


"há um ar de despedida em tudo que fazemos"
Rainer Maria Rilke


Vê, tudo foi vivido.
Mesmo o que não planejei,
Aquilo que outros, por esbarros, trouxeram
E cujo eco tive que repetir;
- à minha maneira, embora.
Também aquilo que a coisa inerte,
Sem respirar e sem o querer provocou em mim;
À minha maneira, embora;
Ponho à mesa para que o proves.
Não posso sequer pedir teu aprovar,
Tu, olhar distante e indiferente
Aos anseios, às dúvidas, às lágrimas
E aos sorrisos de esperas: tudo tão nada agora
Quando, diante de tua porta, aguardo.

Irás tu, na alegria do retorno, abraçar-me,
Ou num esgar indiferente
Deixar que eu descubra
Nem haver porta nem esperar,
Nem mesmo um aceno acolhedor?

 

 

 

O ESTADO E A VOLTA À ESCOLA

Isto era uma escola estadual. Caiu por falta de manutenção.


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://luizcarlosamorim.blogspot.com


Em vista da catastrófica volta à escola na rede pública estadual de Santa Catarina, com crianças tendo de voltar para casa, porque algumas escolas estavam caindo aos pedaços, foi um tanto irônico que ao mesmo tempo fosse assinado pelo nosso governador o "Pacto pela Educação". Espero, claro, que o pacto seja cumprido, pelo bem da educação falida em nosso Estado, mas não é necessário pacto para que o governo cumpra com a sua obrigação. Nesse documento, entre outras coisas, consta a entrega de mais de 11 mil tablets para os professores, e não posso deixar de lembrar a promessa de investimento de mais de cento e oitenta milhões de reais, pelo governo federal, em tablets para as escolas públicas brasileiras. Coisa que não foi cumprida, como prometida, no ano passado. Os tablets deste ano, que entraram no pacto aqui em Santa Catarina, são a distribuição do que o MEC tinha comprado, como foi divulgado na imprensa? O Estado está se apropriando de promessas do governo federal?

É até promissora a possibilidade de se colocar computadores nas nossas escolas de primeiro grau, pois as novas tecnologias, aliadas à internet facilitam o acesso à informação e, consequentemente, ao aprendizado, à aquisição de conhecimento.

Mas além da incerteza de que esses aparelhos apareçam, realmente, nas escolas, - os notebooks, de outro programa, bem mais antigo, até hoje foram entregues apenas a pouquíssimas escolas brasileiras - há o fato de que a educação pública está falida. Algumas escolas estão desabando, sem manutenção há anos, em muitas delas não há equipamentos indispensáveis para os alunos assistirem às aulas e para o professor ministrar as aulas e os professores recebem salário aquém do que merecem para a nobre missão que eles têm, de educar nossos filhos e prepará-los para a universidade e para a vida.
O início do ano letivo, aqui em Santa Catarina, foi um caos, pois o Estado não vinha fazendo manutenção em várias escolas e muitas delas foram interditadas, por absoluta falta de segurança para alunos e professores. E o mesmo Estado não usou os meses de férias escolares para fazer reformas, recuperar as escolas em estado precaríssimo. De maneira que as aulas começaram e muitos alunos tiveram que voltar para casa, pois não havia escola para eles estudarem.

É claro que tecnologia é importante e ela pode ajudar na eficiência da educação, se for bem usada. Mas não seria mais racional se o dinheiro que seria usado para a compra dos tablets (e mais tantas outras coisas que se compram a preço de ouro pelo poder público) fosse usado para pagar melhor os professores e para reformar as escolas que estão desabando, por absoluta falta de manutenção de quem tem que garantir a educação para a população? O Estado está prometendo as duas coisas no tal pacto. A verdade é que não tem que prometer, tem que cumprir, pois é sua obrigação.
Precisamos de lugares decentes para ensinar nossas crianças, precisamos de ambientes seguros para transmitir-lhes conhecimento. E para isso precisamos de boas escolas, bem equipadas e com professores capacitados, remunerados com salários justos e em número suficiente. O "pacto", assinado para apaziguar os ânimos em meio à crise da segurança e da educação, promete recuperar as escolas sucateadas. Isso tem que ser cumprido em curto espaço de tempo. Urgente. Como já disse e repito, é dever do Estado.

 

 

 

DISTÂNCIA

Arcely Braz

Revivendo engavetados
Traz saudade a doce infância:
Amiguinhos, brincadeiras,
O pomar da velha casa,
As flores de laranjeiras;
Fontes de águas cristalinas,
As chuvas que desviei,
Minha primeira escolinha,
As estradas que pisei.
Os sonhos da mocidade
Vividos em primavera,
Distantes, tão envolventes,
Deslumbramento, poesia.
Hoje confesso, convicta:
Eu era feliz e não sabia!

 

 

 

TODAS AS MÃES

Teresinka Pereira

Sempre adiante dos sonhos
ou dos desânimos,
das perdas ou das vitórias,
das esperanças
ou do futuro incerto.

Mãe é a que compartilha
com cada filho a vida
desde a dor do nascimento.
Santa é aquela que atravessa
o campo minado
pelo amor de outra
e semeia paz
onde havia angústia.

Diante das mães
de filhos alheios
o universo é pequeno
em todo valor.

 

 

"A ILHA" NO SALÃO DO LIVRO DE GENEBRA

De 1º a 5 de maio, acontece o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra. É um dos eventos literários mais importantes da Europa. Ele conta com aproximadamente cem mil visitantes, pois a literatura de vários pontos do mundo convergem para Genebra nesses cinco dias de Salão.
O Varal do Brasil, capitaneado pela escritora brasileira Jacqueline Aisenman, estará mais uma vez presente ao Salão Internacional do Livro de Genebra, abrindo espaço para vários escritores da língua portuguesa, muitos deles oriundos do Brasil. Além do lançamento da terceira antologia Varal do Brasil, Jacqueline estará promovendo o lançamento de livros de vários escritores brasileiros.
O Grupo Literário A ILHA estará presente ao Salão, na pessoa do seu coordenador, que estatá lançando três livros: "O rio da minha cidade" - crônicas, "Nação Poesia" - antologia poética e "Borboletas nos Jacatirões" - crônicas. Além desta edição do Suplemento Literário A ILHA, é claro.

 

 


RENASCER

Erna Pidner

Renascer num instante de luz
Na noite calma, caliente...
Renascer, simplesmente
Na melodia suave
No céu, no mar, numa nave
No espaço dito sem fim
Independente de mim!
Trazer a brisa, o luar
Até os confins do mar;
Seguir a rota em trilha
Aportar naquela ilha,
Bem à frente, entre os corais
Os abismos, as vertentes
Os coqueiros tremulantes
Gente com seus rituais!
Renascimentos cruciais
Ou amenos, ou traçados
Não importa, são translados
De viveres vicejantes
De remotos renasceres
De ignotos poderes!
Renascer, sempre com fé,
Eis a vida; eu sei que é
Sempre o melhor presente
Um renascer, simplesmente!

 

 


REVISÃO DE TEXTOS

Não deixe seu texto ser publicado
com erros, sejam eles de ortografia,
digitação, etc. Fazemos revisão
e copy desk. Livros, revistas,
jornais, TCCs, etc.
Temos os melhores preços.
Revisões conforme a reforma
ortográfica recente,
com no mínimo 3 leituras.
Contato: revisãolca@gmail.com

 

 


HOMEM SEM FÉ

Hiamir Polli

Aproxima-se o tempo
em que as pessoas,
movidas pelo vento,
abalam-se em águas torrenciais.

Salvam-se os bons
os quais a terra herdarão
e escorraçados serão os que aqui
o bem recusam-se a praticar.

Vidas serenas X semblantes angustiados
dos que viram no passado
a luta armada
e agora clamam pela paz.

Na agonia sofrem a dor da perda
perdem a esperança
e o desespero vem se apossar
das mentes dos homens
cuja fé abandonaram pelo caminho.

 

 


VARAL DO LIVRO E FEIRA DO LIVRO DE JOINVILLE

A terceira edição da antologia Varal do Brasil, que conta com a participação de escritores do Grupo Lilterário A ILHA, como Maria de Fátima Barreto Michels, Luiz C. Amorim e a sua organizadora, será lançada no dia 3 de maio em Genebra, no Salão Internacional do Livro e em agosto em Florianópolis. O livro é mais uma iniciativa meritória da coordenadora do Varal do Brasil no sentido de fazer a literatura brasileira ultrapassar fronteiras.
Outro evento literário importante em Santa Catarina é a Feira do Livro de Joinville, em abril, quando o Grupo Literário A ILHA estará outra vez participando, com o lançamento desta edição do Suplemento Literário A ILHA e do livro "O Rio da Minha Cidade".

 


SINFONIA

Anair Weirich

Sons antigos
e ambíguos,
os sons da minha vida:
é um pássaro que pia,
é um bicho que espia,
é saudade que mastiga.
Sons saudados
Pelas minhas lembranças.
Tantas quantas
as flores dos campos.
Sons tantos
que formam uma orquestra,
que encantam meus cantos
e que fazem minha festa!

 

 

LITERATURA INFANTO JUVENIL EM SANTA CATARINA

Por Pinheiro Neto

Em dezembro do ano passado, Terezinha Kuh Junks, esposa do saudoso professor e escritor Lauro Junkes, ex-presidente da Academia Catarinense de Letras, organizou e lançou um dos vários trabalhos deixados por esse incansável estudioso de nossa literatura, com sua morte.
Trata-se do primeiro de cinco volumes de pesquisa deixada por Lauro, praticamente concluída, que trará ainda: contos e crônicas, novela, romance e poesia.
Segundo Júlio de Queiroz, no texto O afã incansável, que acredito esteja no livro à guisa de prefácio, "À medida que, no decorrer das últimas décadas, a literatura infantil ampliava-se em facetados aspectos, Lauro Junkes, como um colecionador reunindo seus achados, lia a obra, elaborava suas considerações e as entregava ao seu riquíssimo baú eletrônico.
Legítimo herdeiro intelectual dos copistas medievais, como aqueles, não o fustigava a necessidade premente de trazer a público seu nome como crítico de também essa especialidade."
Para Maria de Lourdes Ramos Krieger, escritora e colega de Lauro na UFSC, enquanto professores, e que apresenta o volume, "a literatura infantojuvenil também mereceu de Lauro Junkes uma reflexão crítica. Ele mostrou que a identidade catarinense se encontra não apenas na literatura dita para adultos, mas igualmente na linguagem e no estilo dos textos voltados - por sua extensão e tema - para criança e jovens."
"Ele sabia da importância da leitura para a formação do leitor, a partir do ambiente escolar, razão por que visitava escolas, geralmente acompanhado de outros membros da Academia: conversava, dialogava com professores e alunos, a respeito da necessidade do livro, da literatura na e para a sociedade e para o próprio indivíduo. (Ele sabia também que, infelizmente, por questões financeiras ou descaso, no ambiente doméstico o acesso aos livros nem sempre é facilitado). Abordava as obras dos autores nascidos em Santa Catarina ou aqui estabelecidos, lembrando que um livro é bom por suas qualidades literárias - quando, aliado a isso, for de autor da terra, merecia/merece maior apoio e divulgação."
São mais de trezentas páginas de pesquisa, trabalho árduo e resultado significativo para o conhecimento e divulgação dessa área (infantojuvenil) que torna a produção literária de Santa Catarina ainda mais consistente e importante, na totalidade da literatura de nosso país.

 

 

 

PARTILHA


Harry Wiese

Procede-se à partilha
na lapela opaca,
tudo em estilo de sobrecasaca,
ali,
à força de braços e pernas,
corpo erguido
e a alma repleta de ausência absoluta.

A megera confina a desgraça
e não entoa a canção infantil.

E ainda pensam em aplicar tributos
em nome do sinistro.
Nada mais valem os apelos,
nada... nada... nada...
e as migalhas são engolidas
numa cadência quase mortal.


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 124 - Março/2013 - Ano 32
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA -
Contatos: lc.amorim@ig.com.br
Editor: Luiz Carlos Amorim


VOLTAR