GRUPO LITERÁRIO A ILHA

Revista do Grupo Literário A ILHA

Edição 113 - Junho de 2010

 

OS 30 ANOS DO GRUPO LITERÁRIO A ILHA

O Grupo Literário A ILHA e a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, completam, neste junho de 2010, 30(trinta) anos de atividades. Divulgando a literatura, dando espaço a escritores catarinenses e brasileiros e até estrangeiros, publicando a obra de todos eles em várias mídias, como a revista do grupo, o portal PROSA, POESIA & CIA., na internet, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br, através da Editora A ILHA, com dezenas de livros solo e antologias de prosa e de poesia, através do Varal da Poesia - que transformou-se no Projeto Poesia no Shopping, da participação em feiras do livro e através de outros projetos como Poesia na Rua, Poesia Carimbada, O Som da Poesia, Pacote de Poesia e outros.
São trinta anos de trajetória, sempre adaptando-se às novos mídias, às novas tecnologias de informação para chegar até o leitor.
Para comemorar, o Grupo Literário A ILHA idealizou e estará lançando a coleção "Letra Viva", composta de livros de crônicas de seus integrantes e a edição comemorativa desta revista , também circulando ininterruptamente por todos esses trinta anos.
Diferente da coleção Poesia Viva, a coleção "Letra Viva" traz a lume os cronistas do grupo, que não são tão numerosos quanto os poetas, mas se destacam, escrevendo em jornais do Estado e pelo Brasil.
Nesta primeira remessa, o grupo publica três livros de crônicas: de Célia Biscaia Veiga, que foi cronista do AN Cidade, de Mary Bastian, cronista de A Notícia e de Jurandir Schmidt, que também escreve para jornais e revistas.
Crônica talvez não seja o gênero literário mais praticado, atualmente, pois perde para a poesia. Mas é o mais publicado, pois todo jornal tem seus cronistas diários. Então privilegiamos quem pratica esse gênero e entregamos os primeiros livros da coleção "Letra Viva", na Feira Catarinense do Livro de 2010. Novos volumes da coleção serão publicados, pois o Grupo Literário A ILHA continuará abrindo espaços para a literatura, para a poesia.

 

A ILHA - 30 ANOS

Erna Pidner(MG)

Trinta anos transcorridos
levando cultura ao povo
e alento aos corações.
Recordo os tempos primeiros
em que, em volta da praça,
recitávamos poemas,
distribuíamos poesia
nas Sanfonas Poéticas,
conversávamos com a galera,
expúnhamos nossos trabalahos
no Varal de Poesia!
Os tempos foram passando
muita coisa acontecendo
e os Poetas da Praça
não esmoreceram.
Veio a Poesia no Shopping
e também nos out-doors,
os livros, as antologias,
a poesia ensacada
e a poesia e a prosa
migraram para a Internet.
Gratos somos, todos nós,
ao Luiz Carlos Amorim
que, à frente dessa turma
que se dedica à literatura
deu tudo de si
para que o grupo
fosse em frente
e crescesse como cresceu!
Queremos desejar, enfim,
à ILHA muita felicidade
e muitos anos de vida
nessa data tão querida!

 

TRINTA ANOS

Por Enéas Athanázio - Escritor de Balneário Camboriú

 

Qual o motivo que leva alguém a criar e manter um periódico cultural que lhe dá imenso trabalho e pouco reconhecimento é um enigma. Pois é o que acontece com Luiz Carlos Amorim e a revista "A Ilha", que se identifica como suplemento cultural do grupo literário do mesmo nome, em circulação desde 1980, ano longínquo quando se trata de publicações do gênero, quase sempre vítimas do mal do sexto número, e num período em que a vida cultural do Estado piorou ou, pelo menos, estagnou. Apesar da indiferença de muitos e do desinteresse de outros tantos, o fato indiscutível é que o periódico chega, mês a mês, ano a ano, às mãos dos leitores, divulgando escritores, poetas, críticos e informando a respeito das coisas da cultura em geral e da literatura em particular. É um esforço admirável de quem acredita na força da palavra e tem fé nos seus objetivos e que mereceria os aplausos dos que se interessam por esses assuntos e que, no entanto, não costumam acontecer com a freqüência que seria de esperar. Indiferente a esses percalços, Amorim não desiste e prossegue na luta solitária, ajudado apenas pelos integrantes do grupo, certo de que está realizando algo importante em favor de nossas letras.
Nascida em São Francisco do Sul, uma ilha, tendo depois se transferido para Joinville, hoje a revista, coerente com o próprio nome, tem sede em Florianópolis, outra ilha. Mas essa ligação com as tais porções de terra cercadas de água por todos os lados, conforme ensina a geografia, não a fez insulada, bairrista ou fechada. Tanto que tem publicado autores de todos os recantos do Estado, de outras regiões do país e até do exterior. Além de estampar inumeráveis trabalhos, em prosa e verso, de nossos autores, é credora de muitas outras realizações na área cultural, como publicação de livros individuais e antologias, lançamentos de obras, palestras e debates, divulgação em praça pública, agitandoa vida cultural de muitas cidades. Em outra ocasião escrevi em minúcias sobre as atividades do grupo e o conteúdo da revista desde sua fundação em texto que se encontra à disposição no "site" do grupo.
Agora "A Ilha" festeja seus trinta anos. Creio que já é o mais longevo periódico do gênero em nosso Estado e talvez até mesmo no Brasil. Isso significa que se tornou balzaqueana, está madura como nunca, na exuberância plena de suas formas - como a personagem de Honoré de Balzac. Só nos resta dar-lhe os efusivos parabéns, reafirmando que não lhe negaremos o apoio que nunca negamos, e desejando que prossiga divulgando através da palavra de seus colaboradores não apenas os dramas mas também as cenas que compõem a comédia humana.

 

 

A ILHA

Aracely Braz

Por incrível que pareça
O nosso suplemento literário,
Em junho de dois mil e dez,
Completa seu trigésimo aniversário.

Cento e treze números da nossa revista...
O mês de junho tem edição especial:
Crônica, conto, poesia, informação
E muito mais em nossa publicação literária.

Ao coordenador do grupo e da revista,
Parabéns pela dedicação e persistência,
Por abrir esses caminhos literários,
Se entregando por toda uma existência.

Em são Francisco foi onde começou A ILHA
Migrando depois pra Joinville e a capital,
Levando as atividades do grupo a todos,
Integrando escritores do Estado e do país.

 

 

A ILHA-CONTINENTE

Por Celestino Sachet - Florianópolis

A revista A ILHA - Suplemento Literário, ano XXIX, nº 112, de março de 2010, apresenta-se com uma capa disposta a, mais uma vez, namorar seus leitores fieis há exatos 30 anos. - Trinta anos de uma revista literária? Existe em Santa Catarina? - Existe. E é a única com esse fôlego de sobrevivência no tempo e na qualidade. Vamos por partes. Ao abrir os anos 1980, o jovem Luiz Carlos Amorim, residente na ilha de São Francisco do Sul, já estava cansado de manusear notas e bilhetes de depositantes do banco em que trabalhava. - Preciso é mexer com as notas e os bilhetes que fervem dentro da minha cabeça e insistem em procurar uma porta de saída. Mas como dar vida e sobrevivência a esses meus escritos que já não aguentam permanecer apenas na realidade da ideia? - Fácil, cara! Eu sou O Berro e estou pronto a gritar contigo, proclama o semanário da ilha. Dito e feito. Em junho daquele ano de 1980, O Berro sentiu-se o mais importante semanário catarinense ao comparecer nas bancas e nas mãos dos leitores com "A ILHA - Suplemento Literário'. E a cidade, não menos prosa, começou a entoar louvores a outra "ilha", não mais o pedaço de terra cercado de água por todos os lados - menos por baixo, claro - mas a uma "ILHA" cheia de letras por todos os espaços, isto é, em todas as páginas. Em maio do ano seguinte, o suplemento libertou-se do semanário, ganhou a vida e começou a andar com as próprias pernas. E a caminhada do A ILHA transferiu morada para Joinville, cidade meio longe do mar e banhada apenas por um rio, ainda que com o nome de Cachoeira. A glória da cidade não banhada pelo mar, não agradava à ILHA. E antes do que mudar o nome, a revista resolveu mudar de cidade. No ano 2000, cá estava ela de armas e bagagens, afinal, Florianópolis está plantada numa ilha. E, neste mês de junho de 2010, passados 30 anos, cada número da revista é um desfile de menus literários cinco estrelas: contos, ensaios, análise de livros, aspectos da teoria literária, livros editados, anúncios de novas edições. - E não pensem que A ILHA está com os olhos focados apenas sobre o escritor de Santa Catarina. Dá só uma olhada no número 112 para ver quanta gente de fora: Mário de Andrade, Teresinka Pereira e Orazio Tanelli, dos Estados Unidos, Zhang Zhi (Diablo), da China e Nuno Rebocho, de Cabo Verde.
Como se percebe, o suplemento de O Berro de São Francisco do Sul anda hoje pelos Estados Unidos, pela China, pela África. E vai chegando aos cinco continentes.
Ao longo desses 30 anos, a forte liderança de Luiz Carlos Amorim vem promovendo a edição de livros, encontros culturais, palestras, feiras, exposições, intercâmbios. Desde o início dos anos 90, o portal "Prosa, Poesia & Cia." democratiza um espaço eletrônico de alta qualidade literária.
O Grupo A ILHA é um agente transformador pela variedade dos meios alternativos com os quais leva o poema para fora do livro. Além do "Varal da Poesia", integram as atividades do movimento os projeots "Poesia na Rua" - poemas em outdoors; "Poesia no Shopping", um varal com poemas pendurados nos corredores de shopping centers; "Poesia na Escola", apresentação em Power-point com poemas de vários autores; "Poesia Carimbada", uso de carimbos para imprimir em qualquer superfície; "O Som da Poesia", distribuição de poesia declamada em CD.
Para o fundador, o Grupo A ILHA mudou a maneira que o público tinha de olhar o poema. E de olhar o poeta também. Que hoje é visto e respeitado como escritor. Como um artista da palavra.
A ILHA de 1980 foi longe e transformou A ILHA de 2010 num belo continente de palavras, ritmos e cores.

 

 

AMOR

Harry Wiese (Ibirama)

O dia em que meu rio
Se transformar em amor,
Meu rádio não mais tocará
"Era um garoto que como eu
amava Os Beatles e Os Rolling Stones".
À tarde, ao Sol posto,
o baque da água nas pedras
ressuscitará Elvis

com guitarra e violino.

 

 

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Por Irene Serra - (www.riototal.com.br)

Em junho de 1980, o jovem idealista Luiz Carlos Amorim torna realidade um sonho de há muito acalentado, ao reunir um pequeno grupo de escritores e poetas em torno de um ideal comum: divulgar suas obras, analisar textos de autores consagrados, enfim, tudo que pudesse difundir e aprofundar seus conhecimentos literários. Surge, assim, o Grupo Literário A ILHA, em São Francisco do Sul. Logo formam o Varal da Poesia, levando essa arte para praças e ruas, tornando-a accessível a todos e publicam a revista Suplemento Literário A ILHA.
O Grupo Literário A ILHA muda sua sede para Joinville e, a cada dia mais forte, expandindo-se com a associação de novos escritores vindos de todo o Brasil e até de outros países, desembarca em Florianópolis, no ano de 2000.
Desde então, acompanho o crescimento da mais perene publicação literária em Santa Catarina, o Suplemento Literário A ILHA. Muitos e ilustres autores estão presentes, contribuindo, magistralmente, com poemas, crônicas, textos os mais diversificados. Espero, com ansiedade, cada nova edição, para desfrutar de uma leitura agradável e passar momentos de deleite.
Incansável, Amorim continua publicando livros - em breve chega a coleção Letra Viva - lançando inúmeros projetos, divulgando a poesia em vários meios de comunicação e aumenta seu leque de oportunidades aos leitores, ao oferecer-lhes, na internet, Prosa, Poesia & Cia, mantido pelo grupo, levando a literatura brasileira, especialmente a catarinense, para o mundo.
Por tudo que tem feito em prol da poesia, é com justa razão que Amorim diz: "depois que A ILHA levou a poesia para a rua, tanto a poesia escrita em cartazes, folhetos, livros como a declamada nos recitais, os poetas são vistos como escritores, como artistas da palavra que são."
Fincada nas quentes areias de Florianópolis e com o mesmo calor humano no coração de seus integrantes, A Ilha venceu como um nobre espaço cultural. Temos muito a comemorar por esses 30 anos! Parabéns a todos pelo altruísmo, dedicação e perseverança!

 

 

O ROMANCE
DAS ESTAÇÕES

Cissa de Oliveria (Campinas-SP)

na pele sem que ninguém ensine
escreve-se o romance das estações

é para inquietar no tempo
o vôo
e sua penugem guardada
entre o colorido da memória
das asas

a boca do tempo é sábia
na sua risada boa
pascal

mudam as estações
explosão que incendeia
sem levantar fogo

do teu sorriso saem flores
a mão não sabe
mas a alma alcança

 

PARABÉNS PARA NÓS

Por Mary Bastian - Joinville

 

Recém chegada à Santa Catarina e começando uma agradável caminhada no jornal A Notícia, de Joinville, deparei com a tristeza de um escritor apaixonado por meu conterrâneo Mario Quintana, o poeta.
Da tristeza do Luiz Carlos Amorim e de minha alegria em alegrá-lo um pouco, nasceu uma bela amizade naquele calorão de fevereiro de 2008.
Trocamos e-mails e ele me convidou pra colaborar com A Ilha, na edição de número 104, de março do mesmo ano.
Por ser uma curiosa sem fronteiras, aceitei o convite e cá estou ainda participando de uma revista literária que resiste bravamente ao tempo e completa trinta anos neste 2010. Já é uma jovem senhora alimentada pelo Amorim, Celinha Biscaia, também minha amiga, Urda Alice Krueger, Cissa Oliveira e tantos outros nomes que nem dá pra citar.
Uns "poetam", outros "cronicam", mas estão todos sempre lá nas páginas da Ilha, trazendo perfume de flores, provocando análises , perguntas, nos dando muita emoção e despertando coisas escondidas no coração, como as confissões do Amorim à sua musa na capa do número 109, de 2009. Sou uma privilegiada em fazer parte desta confraria que faz a gente pensar e sentir.
Não é fácil fazer trinta anos em prosa e verso, neste mundo meio perdido.
Que venham outros trinta, bem escritos como estes pra alegria de todos nós que colaboramos com A Ilha.

 

 

COMO NUM FILME
ANTIGO

Joel Rogério Furtado
(Araranguá)

De repente percebemos
que nosso tudo pulverizou-se
em quase nada
(apenas num átimo de suspiro).
Mas agora, tudo repassa
num tênue fragmento
como num filme antigo
avaramente guardado
num canto velho da memória.
Mas valeu a pena
porque nos vimos
(num sonho bom)
e isso deverá (sem dúvida),
ser suficiente por algum tempo
(pelo menos).
Uma lástima,
mas tudo se esvai rapidamente,
como volutas de fumaça
de contornos azuis
em lógicos caracóis.
Mas logo a mágoa se realimenta
da ingratidão presente
e deixa a fera certeza
de que agora
nada mais será como antes.

 

 

UMA ILHA LITERÁRIA

Por Maria de Fátima Barreto Michels - Laguna

Eu posso garantir que ler e escrever são formas muito boas de se curtir a vida. Há uns anos fiquei encantada ao saber da existência de vários sítios na internet aonde se pode ler e/ou publicar textos.
Sou imensamente grata ao poeta, escritor e editor que, inspirado na geografia física da cidade onde morava, criou uma ilha de onde espalha produções de vários autores em todos os gêneros literários.
Logo que me foi dada a oportunidade de publicar virtualmente através desse editor, também me foi dada a chance de entrar para a equipe da sua revista impressa.
Na verdade tal homem foi bancário e jamais permitiu que a rotina do trabalho ceifasse a poesia que tomava sua mente.
Esse poeta me impressiona pela constância nos projetos que criou, e vive criando, para divulgar a literatura, tanto a que ele produz quanto a dos que o procuram.
Já tive várias oportunidades de vê-lo nos estandes das feiras de livros autografando e incentivando os parceiros de publicações. Sei que vai até as escolas, as universidades, aos congressos, aos debates, a todo foro onde o tema seja ler e escrever. E aqui reside, talvez, o ponto mais importante: há que se plantar, se lançar sementes. Há que se ter o projeto literário focado na criança como a melhor forma de garantir o leitor jovem e adulto. Pois esse ilhéu investe muito apostando nos pequeninos.
Eu ainda não encontrei escritor e poeta que tivesse tanta vontade de disseminar a prosa e a poesia de forma tão tenaz e perseverante para todas as faixas etárias.
Também tive, através do suplemento literário A Ilha, revista que é publicada nas versões impressa e virtual, a oportunidade de colocar na rede e nas feiras os meus escritos e justo através do tal homem. Ele é proprietário da mais duradoura ilha literária de que se tem notícia neste estado.
Trata-se de Luiz Carlos Amorim, que há exatamente 30 anos vem construindo um reduto onde o verso e a prosa têm seu lugar merecido.
Mas não para por aí. O Amorim resolveu fazer um blog e, incansavelmente, se dedica a cada novo dia na tarefa com as palavras.
Não há dúvida que o ato de escrever e publicar traz em si, e por si só, a caracterização do exercício da cidadania, mas este escritor se esforça um pouco além. Ele não desiste de, paralelamente a sua poesia, fazer a crônica, onde é veementemente combativo.
Ligado em tudo que possa afetar a literatura, defende-a, cultiva-a e a promove.
Quero dizer : obrigada Amorim! Você faz uma enorme diferença no cenário das nossas letras!
Orgulhamo-nos de integrar essa vida que você faz brotar, através da palavra, no verso, na prosa, na gente. Obrigada por esta ilha difusora da palavra escrita, o melhor elo que os humanos têm para registrar a vida e rastrear o túnel do tempo. Parabéns!

 

 

GUERRA FRIA

Clotilde Zingali(Jlle)

no contato com minhas fronteiras
vejo-as desguarnecer
os que anunciam e os que não
fazem guerras, tratados, armistícios

eu, mercê de mim
faço acordos e assino contratos de gaveta

no fio do bigode – navalhada –
filha de deus e do diabo permaneço

 

 

CCL E PATROCÍNIO

Por Luiz Carlos Amorim - Fpolis

Volto ao assunto Donna Fashion, evento de moda que foi patrocinado pela Câmara Catarinense do Livro. Eu, como muitas outras pessoas pelo Estado, não entendi nada. Como é que a Câmara patrocina um evento de moda tradicional e badalado como o Donna, se não tem dinheiro para fazer nem uma boa feira do livro?
Liguei para a Câmara, falei com a assessora de imprensa da casa, mas ela não soube me informar. Falei então com um integrante da diretoria, já que o presidente da casa não se encontrava na cidade, e ele me disse que a gestão anterior da CCL vinha requerendo, há coisa de três anos, junto ao Estado, verba para realizar a feira do livro de Florianópolis e junto com ela, no calçadão do Largo da Alfândega, o Donna Fashion. O presidente anterior da Câmara achava que o fato de trazer o evento de moda para a Feira do Livro atrairia mais público para a feira do livro.
Só que, depois de tanto tentar, o Estado concordou em atender o pedido, mas inverteu o projeto, como bem pudemos ver: a verba sairia, mas a Câmara, ao invés de acolher o Donna na sua Feira do Livro, apareceria, apenas, como patrocinadora do evento fashion. Quer dizer: o dinheiro pedido para a CCL realizar a feira teria sido revertido para o Donna, evento que nem estatal é. E pior, através da Câmara. Não é muito estranho?
E a Câmara precisou dar tratos à bola para conseguir recursos para a sua Feira Catarinense do Livro, que aconteceu no mês de maio.
Quem é que vai explicar isto para os cidadãos catarinenses? Afinal, o dinheiro em questão é dinheiro público.

 

 

ESPERA

Apolônia Gastaldi
(Portugal)

Nem eco
Há que me conforte.
Nada disfarça
A inutilidade da espera
As cores luminosas somem
E a dor consome
A alma, sem dó
Nem pena
As águas do meu rio sabem
Marulham baixinho
Na pura delicadeza
Do compartilhar.
Na espera,
O meu canto é só lamento,
Vive escondido no meu peito.
Ninguém deve achar.
Fingindo, incremento
E tento inutilmente,
Outra forma de cantar.
Entretanto, tudo está feito.
Na solidão,
O meu sonhar
Desfeito.
No esperar

 

 

TRINTA ANOS DE ILHA

Por Célia Biscaia Veiga - Joinville

Vim morar em Joinville no início de 1986 e mais ou menos na metade do ano conheci o Amorim. Li seus poemas e adorei. Na época eu fazia parte do grupo de teatro da AABB de Joinville, e estávamos preparando uma peça escrita em conjunto por meu marido e eu "Deus dá asas". Amorim perguntou se eu escrevi só teatro e quando respondi que escrevia também poesia, pediu que eu lhe trouxesse algumas para ele ver. E assim, me vi fazendo parte do Suplemento Literário A Ilha, publicado trimestralmente. Algumas poesias do Johnny também foram publicadas n'A Ilha.
Durante o período em que o Amorim ainda estava em Joinville, participamos do Varal da Poesia que era na Praça Nereu Ramos, da Poesia no Shopping Cidade das Flores, e fui incluída nas antologias "Poetas da Praça" e "Poetas da Praça II".
Também por gostar de teatro, fizemos alguns recitais de poesia dramatizados, em alguns lançamentos de livros do Amorim e das antologias do Grupo.
Quando foi para Florianópolis, levando A Ilha, Amorim levou as nossas poesias junto, de todos nós, que fazíamos parte do grupo e continuamos morando em Joinville. Nós permanecemos aqui, mas nossas poesias seguiram seu destino, indo cada vez mais longe, principalmente depois de ser criado o portal na internet.
Na comemoração dos 25 anos do Grupo, tive a alegria de ser incluída na coleção Poesia Viva, quando foi publicado meu primeiro livro solo de poesias "Palavras e Exemplos"
Agora, chegando aos 30 anos, nosso balzaquiano Grupo comemora e agradece o empenho e a dedicação do Amorim, que estimula os novos e os velhos autores a dividir as emoções vividas, pois emoções divididas se forem tristes, se diluem tornando a vida mais leve e se forem alegres, ao dividirem-se elas se multiplicam, estendendo os braços da alegria a quantos tenham acesso à leitura.
E Amorim é esse elo entre o autor e o leitor, pois com seu trabalho incansável tem nos permitido divulgar o que escrevemos e simultaneamente conhecer e admirar outros que estão no mesmo barco que nós.
Obrigada, Amorim. Longa vida para A Ilha.

 

 

O SOM DO MAR

Wilson Gelbcke(Jlle)

Ah, o som do mar...
Faz pouco tempo,
não mais que ontem,
fico a meditar...
Um som diferente,
tão nosso, tão da gente.

Ah, o som do mar...
Alegre ao nos rever,
por isso o seu cantar.
Um som diferente,
Tão nosso, tão da gente.
Ah, o som do mar...

 

 

OS ESCRITORES E OS LIVROS ELETRÔNICOS

Por Luiz Carlos Amorim - (Http://luizcarlosamorim.blogspot.com)

O livro eletrônico tem sido assunto recorrente, nos últimos meses, em revistas, jornais, televisão e internet. O e-reader, leitor de livros eletrônicos, como o Kindle, já estava em ascensão desde o ano passado. Com o aparecimento de um novo leitor multimídia, mais moderno, com mais recursos além da leitura de livros, jornais e revistas, no início deste ano, o assunto ficou ainda mais em evidência.
Falo do I-pad, que já vendeu quase dois milhões de exemplares, inclusive no Brasil, apesar de não podermos comprar livros na loja da Apple. No entanto, com a instalação de um programa específico que pode ser instalado, pode-se comprar livros do Kindle para ele. O novo leitor permite ver filmes, jogar games, usar aplicativos de texto, navegar na internet, etc.
Com toda essa revolução em ebulição, nós, escritores, além das editoras, precisamos nos antenar e pensar em aderir ao e-book, o livro eletrônico. Precisamos fazer isso porque o livro tradicional, impresso em papel, vai acabar? Não, isso não vai acontecer tão cedo. Vai demorar bastante para o livro eletrônico suplantar o livro como o conhecemos até agora. Talvez isso nem aconteça.
Mas nós, que publicamos livros, precisamos entrar nesse novo mercado e, além do livro impresso, é bom pensar em providenciar também a versão eletrônica, para conquistarmos também os leitores que já estão usando os e-readers, os leitores dos e-books. Mesmo aqueles escritores que se consideram alternativos.
A verdade é que muitos de nós já publicava, desde meados da década passada, seus livros eletrônicos, colocando-os na internet, para serem baixados de graça. Ninguém cobrava nada. Agora é hora de começar a pensar em colocar os livros em lojas virtuais, tentar vendê-los, pois o preço de um livro eletrônico é bem convidativo, menor do que o preço do livro impresso e isso pode significar alguma venda.
Estou apressando, com isso, o fim do livro tradicional? Não, porque como já disse, isso não vai acontecer. O preço dos leitores eletrônicos ainda é bem salgado e nem todo mundo vai poder comprar. Então, o livro de papel, manuseável, aquele que prescinde de qualquer fonte de energia a não ser a nossa vontade de ler, vai continuar, sim, por muito e muito tempo.
Mas é necessário que nos adaptemos às novas tecnologias, que podem caminhar paralelas aos recursos que já existiam e que continuarão existindo.

 

 

CANÇÃO DE AMOR

Else Sant'Anna Brum (Joinville)

Eu quis compor
Uma canção bonita
Uma canção de amor
para você ouvir.

Um céu de estrelas
Enfeitava a noite
E eu então compus a bonita canção.

Uma brisa suave trouxe a rima
O marulho do mar, a melodia.
O compasso ficou por conta do meu coração.

A canção de amor, então eu me pus a cantar.
Só que eu não sabia
Que você não viria me escutar!

 

 

510 ANOS - 30 ANOS

Por Urda Alice Klueger - Blumenau

Li, em algum lugar, que alguns portugueses de 1500 e de antes eram totalmente contra que se arriscasse as vidas da fina flor dos homens de Portugal em navegações incertas e sem sentido. Segundo aqueles profetas do Apocalipse, Portugal tinha muito pouca gente para mandar seus filhos enfrentar o grande Mar-Oceano, onde, provavelmente, eles seriam devorados pelos grandes monstros que a imaginação ibérica e européia acreditava estarem patrulhando os abismos que, fatalmente, engoliriam qualquer tipo de caravela ou outro barco ousado.
Numa coisa os nossos profetas tinham razão: Portugal tinha muito pouca gente. Em 1500, o pequeno/grande país tinha uma população de 1.000.000 de pessoas - se se descontar as mulheres, as crianças, os velhos e os doentes, talvez sobrasse alguma coisa como 200.000 homens, para cuidar de tudo em seu país, e para conquistar todos os mares "nunca dantes navegados".
A nossa sorte é que aquela minoria não foi ouvida, e os portugueses lançaram-se aos mares, e acabaram sendo quase os donos do mundo, e nos deram um Brasil danado de bom, apesar das batalhas campais com índios e Sem-Terras. Já pensou se eles tivessem dado crédito aos seus profetas derrotistas, e não tivessem se lançado à aventura do desconhecido? Nem dá para imaginar como o mundo seria hoje.
Daí, pensando nos portugueses, lembrei-me de outro fato notável. Um poeta que, faz trinta anos, morava em São Francisco do Sul, naquela ocasião achou por bem publicar uma revista. Tratava-se de "A Ilha", revista que, de uma forma ou de outra, todo o mundo que lida com literatura, em Santa Catarina, deve ter visto ou ouvido falar, ao menos. O que fez com que o poeta, que se chama Luiz Carlos Amorim, resolvesse sair na chuva para se molhar, começando uma publicação que, no começo, era muito simples, tão simples que muita gente nem levava a sério? Lembro de antiqüíssimos números de "A Ilha", xerografados ou mimeografados, mas sempre chegando na casa da gente, sempre trazendo as novidades literárias do Estado, notadamente da região norte de Santa Catarina.
Quando "A Ilha" surgiu, todo o mundo gostou? Uma ova, teve gente de penca que não gostou, notadamente aquele pessoalzinho que se considera a "inteligentsia" da literatura catarinense, aquela gente que se tem em alta conta, que acha que só escreve obras primas, mas de quem o leitor raramente ouve falar e nem consegue deglutir os livros.
Que teria sido de "A Ilha", se o seu idealizador tivesse levado em conta os comentários do pessoal da "inteligentsia"? Decerto que teria parado no primeiro número - vá agüentar-se as sandices que as pessoas "cultas" são capazes de dizer!
O que o Luiz Carlos Amorim fez foi comportar-se como os portugueses do século XV - não prestou atenção aos profetas daqui do estado, assim como os portugueses não prestaram atenção aos profetas do Apocalipse, e continuou, número após número, fazendo circular a sua revista, por mais simples que ela fosse, por difícil que fosse publicá-la.
E agora, hoje? Agora a revista "A Ilha" já esta fazendo 30 anos, e é linda e colorida, circulando por todo o planeta via Internet. O endereço? É http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br . Dê uma olhadinha lá, para você ver quanta informação e quantas seções interessantes. Penso que toda a "inteligentsia,", hoje, tem vontade de tirar uma casquinha em "A Ilha". E por que? Porque o Luiz Carlos Amorim acreditou que podia ter uma revista; porque ele não ficou ouvindo os cães que ladravam - ele pegou a caravana e passou. Fez bem como os navegadores portugueses. E, enquanto o Brasil comemora os 510 anos (apesar das barbaridades), "A Ilha" completa seus 30 anos de vida. É um tempo impressionante, neste país de altos e baixos. Só tenho uma coisa a dizer : "Parabéns, Amorim! Muitos 30 anos para "A Ilha!".

 

 

BRASÍLIA

Emanoel Medeiros Vieira

Cidade das mangueiras em flor,
dos fundadores da utopia,
candangos, barra vermelho, florzinhas do cerrado
pássaros, encantos cerrados,
cidade do amolador de facas
(ela tem esquinas sim, mas é preciso decifrá-las),
da louvação às primeiras chuvas,
terra molhada em janeiro
Não, meu coração não quer saber da urbe palaciana,
dos maquiáveis planaltinos,
intrigas com soda cáustica.
Cidade dos criadores,
Da mistura de tantas raças, vários brasis
(ah, a moça tomando sorvete no ponto de ônibus).
Cidade do meu viver e do meu sobreviver,
de todos os sonhos,
das linhas retas do arquiteto,
e cidade do meu repouso.

 

COLEÇÃO LETRA VIVA COMEMORA 30 ANOS

Foi lançado, na Feira Catarinense do Livro de Florianópolis, no dia 29 de maio, os três primeiros volumes da Coleção Letra Viva. São três livros de crônicas, publicados em comemoração aos trinta anos de trajetória do Grupo Literário A ILHA, de Mary Bastian, Célia Biscaia Veiga e Jurandir Schmidt.
A coleção terá novos volumes mais adiante, de integrantes do grupo que também praticam o gênero crônica e, como os autores do livros já lançados, publicam em jornais, revistas e na internet.
O Grupo estará promovendo outros lançamentos pelo Estado, participando de feiras do livro nas cidades onde elas estão por acontecer .

 

 

PERSEVERANÇA


Jurandir Schmidt(Jlle)



Nesta destruição desenfreada
em algum lugar deve existir
uma árvore preservada
para que a ave
construa seu ninho.

É importante
que isto aconteça
pois, a esperança
não quer parar
de voar.

 

 

Nova edição de MIRANDUM

 

Uma nova edição da revista Mirandum, da Confraria de Quintana, a de número cinco, finalmente estará circulando no mês de junho. Composta exclusivamente de crônicas, artigos, ensaios e poemas sobre o o grande poeta brasileiro e também, como não poderia deixar de ser, com poemas dele e entrevista com ele.
A revista pode ser solicitada no e-mail fabarreta@hotmail.com ou lc.amorim@ig.com.br .

 

 

A ROSA VERMELHA

Oscar Flórez Tâmara
(Colômbia)

Desta janela chamo-te
para mostrar-te o fogo
que cruzamos.
As mais frescas notícias
não dão as cifras exatas das coisas.
A lembrança guarda
silêncio nas veias
e são sonhos andantes das horas
donos absolutos da vida.
O rio o deteve várias vezes
em seu leito, mas segue,
segue perguntando
pela onda e o mar
segue na vertente
deslumbrando seu som
em suas águas agitadas de cores
ainda o céu e as estrelas
podem desenhaar-se.
As plantas crescem na margem
e no centro da fúria
vão as folhas dançando em redemoinho.
Desta vez chamo-te
para deixar constante que te amo.

 

 

A ILHA NA FEIRA CATARINENSE DO LIVRO

O Grupo Literário A ILHA esteve participando da tercira edição da Feira Catarinense do Livro, no dias 29 de maio, no Largo da Alfândega, em Florianópolis. Foi lançado o livro de crônicas “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas”, esta edição do Suplemento Literário A ILHA e a coleção Letra Viva, publicada em comemoração ao trigésimo aniversário do grupo.
A Feira Catarinense do Livro é promovida pela Câmara Catarinense do Livro e essa foi a primeira edição sob a nova diretoria da casa, que implementou algumas mudanças para incrementar o evento e torná-lo mais popular.

 

 

COLEGAS DE INTERNET

Teresinka Pereira
(USA)

Quando éramos jovens
sonhávamos ser astronautas
e descobrir outros planetas
habitados por seres
de inteligência superior,
como a nossa...

Mas um dia nos apaixonamos
e atuando instintivamente
como qualquer terráqueo,
nos casamos e os filhos
nasceram com uma inteligência
superior... a nossa.

Agora vamos sobrevivendo
às quedas da bolsa global de valores,
com o pouco que ficou
guardado na caixa econômica
e a experiência adquirida
na luta contra a corrente:
capitalistas no sul,
socialistas no norte
e anarquistas no coração...

Vemos nossos filhos
Diante do computador
Digitando! E desejando
Estar como eles,
Modernos e em dia,
Viramos interinos
Internautas!

ONDE ENCONTRAR OS LIVROS DA EDITORA HEMISFÉRIO SUL

O livro “Borboletas nos Jacatirões”, de Luiz C. Amorim e todos os livros da Hemisfério Sul estão à venda nas seguintes livrarias: Saraiva (inclusive virtual), Curitiba e Catarinense. Central Livros e Rio Centro (Rio do Sul), Convivência, Fapeu, Livros e Livros, Catarainense, Saraiva (Florianópolis), Aladim e Casa Aberta (tajaí), Acadêmica, Alemã, Papelaria Danúbio, Blulivros (Blumenau), Diocesana (Lages), LDV (Indaial), Papelaria Mosimann (Brusque), Cultural (São Leopoldo-RS), Bauhaus (Balneário Camboriu), Midas e Catarinense (Joinville), Nova Objetiva (S. Miguel do Oeste), Origem (Timbó), Grafipel (Jaraguá do Sul), Recanto do Livro (Videira), Refopa Joli (Pomerode), Fátima Art. Esp. (Criciúma), Ponto do Livro (Cruz Alta-RS). hemisferiosul@san.psi.br

 

 

POEMA DE MAIO

Nuno Rebocho
(Cabo Verde)

em maio eu maio: em verde em amarelo em violeta

em aragem quente em esteva em tarde amena

de repente. desmaio as manhãs e cresço como o trevo

junto à raíz da seca erva. em maio.

em maio a água corre no sentido da nascente e das bocas.

avaro de sentir o chão ferve como as formigas:

anda ralo tonto anda toutinegra desanda

grilo na toca do meu canto e na boca do teu espanto.

a festa fazemos em maio. em sangue a fazemos

em encanto a fazemos no rasto dos planetas

que tudo olham e tudo mandam e são impacientes.
amadurecemos em maio como a cebola vergada

no peito aberto da esperança reencontrada.

 


EXPEDIENTE

Suplemento Literário A ILHA - Edição Nº 113 - Junho/2010 - Ano 30
Edições A ILHA - Grupo Literário A ILHA
Contatos: lc.amorim@ig.com.br - prosapoesiaecia@yahoo.com.br
luca@netbind.com.br


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