Revista eletrônica de cultura e literatura

do Grupo Literário A ILHA

Dezembro/2013

Clique aqui e ouça nosso cartão de Natal

(Poema "O Natal que eu quero" de Luiz C. Amorim musicado)

 

Visite o Blog CRÔNICA DO DIA,

em Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

 

 

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA

Já está circulando e também no ar, aqui no portal PROSA, POESIA & CIA., do Grupo Literário A ILHA, a edição 127 da revista Suplemento Literário A ILHA, de DEZEMBRO de 2013, especial de NATAL, com crônicas, contos e poemas de Natal e assuntos como "O Centenário do nascimento do Poetinha" , "Um 'puxadinho' para Cruz e Sousa", "Poesia Brasileira na Europa", "Lauro Junkes e a Literatura para Crianças", "Encontro de Escritores" e mais contos, poemas e crônicas natalinos e muit ainformação literária e cultural.

 

 

CHEGOU O NATAL!

Luiz Carlos Amorim

Natal chegou.
Muitas luzes se acenderam,
Muitos enfeites surgiram,
Muita coisa se comprou.
Alguém lembrou do Menino
Razão dos nossos Natais?

Natal chegou.
Mas parece que mudou.
Só lembramos de presentes,
Enfeites e muitas luzes,
Só pensamos em comprar.
E o Menino que nasce,
Todo dezembro, há milênios,
Ninguém vai comemorar
De verdade o seu aniversário?

Natal chegou.
O Menino chegou.
E traz de presente
Serenidade, amor,
Justiça e dignidade.
O Menino traz perdão,
Traz carinho e compreensão
Para toda criatura.

E nós não aceitamos
Esses tão ricos presentes.
Não é hora de mudar?

 

LANÇAMENTO NA FEIRA DO LIVRO de SÃO JOSÉ

A Editora Papa Livro promove, de 3 de zembro a 16 de fevereiro de 2014, a 1ª Feira do Livro de São José, evento realizado no Shopping Ideal, na BR 101. O Grupo Literário A ILHA estará participando, com o lançamento da edição 12 da sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, edição especial de Natal e dos livros "Nação Poesia" - poemas, antologia poética, "Borboletas no Jacatirões" e o mais recente livro de contos de Luiz Carlos Amorim, "HISTÓRIAS DE NATAL".

 

APESAR DO VERÃO


Virgínia Vendramini


Neste natal, aqui também há neve,
Apesar do verão.
Neve que bloqueia caminhos e atalhos
Por onde deveriam transitar
Sentimentos fraternos hoje tão esquecidos
Quanto as velhas crenças da infância.

Apesar do verão e do sol esplêndido,
Neste natal, aqui também há neve,
Isolando as pessoas em seus universos,
Entorpecendo mãos que não se estendem,
Amortecendo a voz dos sinos que celebram
A união e a paz entre os homens...

Apesar do verão e do calor dos trópicos,
há neve aqui também, neste natal.
Flocos silenciosos de indiferença
Vestindo de branco a noite dos meus ausentes,
Cristalizando-se dentro de mim
Em blocos ásperos de ressentimento
Contra o tempo que passou, mudando o mundo,
Contra a vida, que mudou os hábitos

 

 

O VERDADEIRO SENTIDO DO NATAL

Por Luiz Carlos Amorim

E estamos no final de 2005. O Natal está aí, essa festa grandiosa para a humanidade que a própria humanidade transformou num mero evento consumista: a festa da fraternidade e do amor, reduzida a uma época para se gastar mais, para se comprar mais.
Mas ainda é tempo de mudar. Ainda há tempo. Será que vamos nos esquecer, novamente, que o Natal não é Papai Noel, não é presentes e guloseimas, cores e brilhos, simplesmente? Alguém lembrará do menino que está para nascer e que representa o renascimento da vida para cada um de nós, a esperança de renovação para cada cristão desse mundo de Deus?
O Natal é a oportunidade de reafirmarmos nossa fé em uma força superior que rege o universo, que rege o futuro, não importa o nome que lhe demos. Porque como já dissemos outras vezes, o que será de nós, seres humanos, irmãos gêmeos da natureza, se não tivermos fé e esperança num amanhã que está nas mãos daquele menino que está para nascer?
O que adiantará alguns de nós montarmos nossas árvores de Natal, com luzes e enfeites, podermos comprar presentes para os filhos, pais, irmãos, amigos, se não soubermos o significado do Natal? Precisamos começar a ensinar nossos filhos, que desde muito pequenos esperam ansiosamente o final de ano para que Papai Noel lhes traga brinquedos e doces de presente, que o Natal não é só isso.
Que Natal é muito, muito mais do que isso. Que o Natal existe porque um menino nasceu, há muito tempo atrás, para ensinar-nos que sempre é possível começar de novo, que nunca é tarde para recomeçar, que nunca estaremos sozinhos, apesar de tudo.
Que podemos exercitar sentimentos e emoções simples, próprios de nós, homens, filhos de Deus, como a solidariedade e a fraternidade, a amizade e a compaixão. Que esses sentimentos levam a sentimentos maiores. Não podemos deixar de lembrar, sempre, este significado maior.
Em alguns lares, às vezes por falta de tudo, às vezes por falta do espírito de Natal, nem a árvore enfeitada com frutos coloridos e maduros, representação de fartura, se faz presente. Principalmente se não há crianças. E uma casa sem Natal é muito triste. E um adulto que não tem mais a capacidade de sonhar, de sorrir e de ter esperança é mais triste ainda. É como se não deixássemos nascer o menino, o filho de Deus, que representa a nossa alma, a magia e o encantamento de viver.
Natal é a comemoração da vida, que um menino chamado Cristo traz todo ano, tentando nascer em nossos corações. É a comemoração do aniversário desse menino, que há mais de dois mil anos veio para iluminar nosso caminho. Essa é a grande festa: ela precisa começar dentro do coração de cada um. Feliz Natal para todos.

 

MEU NATAL

Luiz Carlos Amorim

Eu vou viver o Natal.
Não vou lamentar pacotes,
o dinheiro dos presentes,
nem vou enviar cartões.

Vou sentir este Natal,
festejar o aniversário
do arquiteto da vida.

Vou dar amor de presente,
vou oferecer sorrisos
e distribuir carinho.

Não foi o que ele ensinou?
Hei de aprender uma prece
pra pedir ao grande Irmão
a bênção neste Natal...

 

 

Final de ano


Celia Biscaia Veiga

Final de ano normalmente as pessoas param um tempo para pensar, fazer um balanço mental das perdas e conquistas que ocorreram durante o ano que passou.
Muitas vezes nesses momentos vem à tona sentimentos estimulados pela chegada do Natal, relacionados à necessidade da paz na Humanidade. É um momento em que se pensa no perdão, que devemos perdoar quem nos magoou, passar uma borracha nas mágoas e virar a página, tentando começar um novo ano sem ressentimentos.
E aí chegamos no ponto: é mais fácil perdoar do que aceitar ser perdoado. Pode parecer um paradoxo, mas não é.
Quando nos dispomos a perdoar alguém normalmente nos sentimos bem conosco mesmo, por dois motivos: a carga do rancor é muito pesada e a partir do momento que conseguimos perdoar realmente (realmente mesmo, não naquela do "perdôo mas não esqueço), essa carga sai de nossos ombros, tornando mais leve nosso caminhar; o outro motivo, que geralmente não assumimos nem para nós mesmos conscientemente, é que nos sentimos "superiores", "bonzinhos" mesmo, pois afinal, conseguimos perdoar...
Quando se trata de aceitar ser perdoado, é bem mais difícil. Aceitar que nos perdoem, é aceitar nossa parcela de culpa, assumir que cometemos um erro, e que a outra pessoa está sendo superior deixando isso pra lá. É um golpe para nosso amor próprio, que geralmente se recusa a aceitar que também errou.
Outro detalhe: perdoar não significa que se continuará aceitando o mesmo comportamento, permitindo que a situação se repita e que se tenha que perdoar 70 vezes 7 o mesmo erro. Até porque aí, nem se está ajudando no crescimento do outro. Não proporcionar ao outro a oportunidade de nos magoar novamente, muitas vezes é a forma mais eficiente do perdão. Não alimentar mágoas, não carregar nenhum desejo de que algo de desagradável aconteça à pessoa que nos magoou, mas mudar nossa atitude pode levar a pessoa em questão a se auto-analisar e buscar novas alternativas de comportamento, que a façam uma pessoa melhor.
Pode ser que nem consigamos observar a mudança interna imediatamente, mas o tempo irá lhe mostrar que ninguém ganha magoando aos outros.
E se conseguirmos nos livrarmos das mágoas (segundo ouvi de alguém muito especial, chorar para livrar-se da má água que está em nós), poderemos dar início a um novo ano com o coração mais leve, e preparando-nos para que também nós não magoemos ninguém.

 

 

 

O MENINO


Araci Barreto
POSTAL CLUBE
http://www.rio.com.br/~pclube

Um dia nasceu um menino,
bem longe, em grande pobreza
ninguém podia prever o que iria acontecer
com aquele pobre menino.

Sabia das leis, ainda pequeno.
Ensinava aos velhos e aos moços, também.
Falou de outros mundos, de outras vidas; do céu.
Falava de coisas estranhas
que a todo o mundo assustava.

E pelo mundo se foi
deixando sua mãe a chorar:
Onde andará meu menino?

Só fez o bem o menino
que homem já se tornara
e ensinou tanta coisa...
Que em vida a gente prepara
para "viver" bem depois.

Mas, essas coisas estranhas,
os milagres que fazia
e a coragem que tinha o rapaz
abalaram o mundo de então.
E os doutores da lei,
os chefes, mestres, sabidos,
dele tiveram notícias.

E por medo de perder a fama,
por inveja do saber,
o menino mandaram prender.

E mesmo sem culpa provada
e mesmo sem ter porquê,
lavaram as mãos e mataram
aquele pobre menino
que ninguém quis defender.

 

 

PAPAIS NOEIS EXISTEM

Por Luiz Carlos Amorim

Está chegando o Natal, esse tempo mágico de renascermos, de deixarmos nascer em nossos corações um Menino que nos trará fé esperança, de mostrarmos que amamos nossas pessoas mais caras, dando-lhes carinho e presentes. Presentes que podem ser apenas simbólicos, mas que significam, antes de qualquer outra coisa, que lembramos daquela pessoa. Que pensamos nela.
Mas há aqueles, menos privilegiados que nós, que precisam mais que um presente simbólico: existem pessoas carentes, muito pobres, que precisam de tudo, até do alimento mais básico. Há crianças que nunca ganharam um presente, uma roupa nova, um par de sapatos novos. Parece exagero, eu sei, mas infelizmente não é.
Por isso, fiquei fascinado em ver, no Natal passado, acontecer uma coisa que eu achei fantástica. Todos sabemos que as crianças, até certa idade, acreditam em Papai Noel. Sabemos, porque nós também acreditamos, por um período curto, talvez, mas acreditamos. Antes mesmo de saber o significado do Natal, as crianças ficam conhecendo Papai Noel. E até que acabe o encanto, até que o Velhinho perca a magia, que a criança descubra que não existe quem consiga dar brinquedos para todas as crianças do mundo inteiro, os pequenos acreditam que os presentes que ganham na festa maior da humanidade são trazidos por ele, o velho Noel de roupa vermelha e barbas brancas.
Por isso, pedem coisas a ele, escrevem cartas endereçadas ao Pólo Norte e até colocam no correio. Pois são essas cartas, de crianças fazendo pedidos ao Papai Noel, enviadas por crianças (nem só crianças) carentes, que os correios aqui da nossa região resolveram colocar à disposição de quem quiser e puder atender um pedido. Não é maravilhoso? Restabelecer o encanto, resgatar a magia, poder provar que existe um Papai Noel em algum lugar, por que não dentro de nós?
E algumas pessoas vão lá e escolhem uma carta que possam atender - ou escolhem aquelas que precisam mais, porque essas cartas não pedem só brinquedos, pedem remédios, comida, um lugar para morar, etc. - e vão lá entregar, embora não vistam a roupa vermelha nem tenham barba branca.
Este é o verdadeiro espírito do Natal. Isto mostra que o Menino de dois mil e tantos anos está nascendo, mais uma vez, no coração dos homens. Que ele está entre nós.
Ainda há tempo, podemos passar no correio mais próximo e pedir pelas cartas endereçadas a Papai Noel. Quem sabe não podemos ser o Papai Noel de alguém?

 

NATAL

Teresinka Pereira (USA)



O Natal e' uma porta aberta,
um relampago sempre inedito,
um implacável noticiário
do tempo.

Embora distantes e mutantes
nossas energias natalinas
podem enraizar-se
na fragilidade
do ano inteiro,
e a simplicidade
desses sonhos
vão ligeiramente
contaminando as vidas
com desejos
de maravilhosas alegrias.

 

 

NATAL NO CORAÇÃO

Luiz Carlos Amorim

O Natal chegou
em minha casa.
Uma criança,
signo de pureza,
alegria e verdade,
adentrou a minha porta.

Um menino
espírito de luz,
símbolo do amor,
de fé e esperança,
nasceu em meu coração.
É Natal...

 

AS CANÇÕES NATALINAS

Por Luiz Carlos Amorim

É muito triste constatar, mas o fato é que, se deixarmos, o espírito de Natal transformar-se-á em simples apelo comercial. Há que façamos alguma coisa, pois isso já está acontecendo. Se prestarmos atenção, verificaremos que os meses que antecedem a data maior da cristandade são usados para se enfeitar nossas cidades com muitas luzes, cores, Papais Noéis e árvores enfeitadas para se vender mais. De tudo.
Mas esse cenário colorido, cheio de luzes, enfeitado com Noéis com barba falsa e roupa vermelha e árvores onde contrasta o colorido com o branco da neve também falsa para induzir a se comprar, não é, absolutamente, o espírito de Natal. Apenas consumo.
O verdadeiro significado do Natal quase não é lembrado: o nome da festa é usado, apenas, como propaganda para que compremos presentes, abusando dos signos a ela inerentes, como as árvores enfeitadas, os Papais Noéis, anjos e presépios. E canções.
As canções natalinas talvez devessem ser mais ouvidas, porque dizem muito e tocam a gente. Mas a verdade é que não damos a devida atenção às suas letras, e deveríamos.
Existe uma variedade bastante grande de canções de Natal. A maioria importada de outros países, mas elas existem. E se ouvirmos com atenção as suas letras, veremos que muitas delas contam a verdadeira história do Natal. São, quase todas, canções tradicionais e antigas que contam a trajetória do menino de Belém desde antes do seu nascimento, em uma manjedoura do meio do caminho, até se transformar no homem de Nazaré.
E ajudam, assim a criar o verdadeiro espírito de Natal. Aí sim, sabendo do real significado, poderemos dar presentes aos nossos entes queridos, enfeitar uma árvore e cantar juntos uma canção para comemorar o aniversário do menino que está nascendo - o nosso renascimento, a renovação da vida.
São canções como "Jingle Bells" - ou "Bate o Sino", por exemplo, que nos lembram de um sino que anunciava o nascimento que é o motivo maior do Natal: "Bate o sino pequenino / Sino de Belém / Já nasceu Deus Menino / para o nosso bem". Como também em "Natal das Crianças": "Natal da noite de luz / Natal da estrela-guia / Natal do menino Jesus".
Em "Silent Night" - Noite Feliz, a história é recontada, mais completa: "Noite feliz, noite de paz / Oh, Senhor, Deus de amor / Pobrezinho, nasceu em Belém. / ... / Oh, Jesus, que quiseste nascer / nosso irmão / e a nós todos salvar".
E outras tantas canções nos enlevam e elevam o nosso espírito para que não percamos o verdadeiro sentido do Natal. Precisamos ouvi-las e entendê-las. Para que o espírito de Natal se faça em nós, genuíno, verdadeiro.

 

 

TEMPO DE NATAL

Luiz Carlos Amorim

Natal.
Novamente Natal.
Eu cresci e o Natal perdeu o encanto...
Festa artificial, cumprimentos vazios,
não mais a ansiedade pelos presentes,
só a preocupação com o presente
e com a incógnita que é o futuro.

Será que o Natal
é só brinquedo de criança,
árvore enfeitada, festa?
O Natal das crianças continua,
com Papai Noel, presentes e doces,
porque a criança é pura
e delas é feito o Natal...

E o meu Natal?
Acabou,
só porque não sou mais criança?
Não, o Natal não acabou.
Apenas esquecemos que o Natal
é o aniversário de Cristo,
que veioo para trazer fé
e esperança ao mundo,
que morreu para selar um pacto
de amor à humanidade.
Ele morreu,
mas continua mais vivo do que nunca,
basta que queiramos.

Que Ele esteja com você, neste Natal.
E você com Ele.
O seu Natal
será muito mais Natal, então.
Ressuscite-o dentro de você
E far-se-á o Natal...

 

O NATAL DO MENINO

Por Marcos Antonio Meira

Véspera de Natal. O menino ansioso. Sonha o presente. Olha pela janela. Céu sem estrela. O calor do verão. O silêncio da noite. Papai Noel voa? Pensa que sim. E vasculha o céu. Procura. De que lado ele vem? Não sabe do Sul. Não sabe do Norte. Sabe esperar. E aguardar cansa. O menino esfrega os olhos com as mãos. Difícil ficar acordado. A cabeça balança. Ele se esforça. Em vão. É vencido pelo sono. E o menino sonha... Segue num trenó vermelho. Grande, muito grande. Seis ou oito renas – não sabe contar. Há também um velhinho. Barbas brancas, muito brancas. Papai Noel! Vontade de gritar. O trenó segue rápido. O saco cheio de presentes. Vai dar tempo de entregar tudo? O menino olha a lista. Letras, muitas letras. Seu nome está ali? Ele não sabe ler. O trenó para. Papai Noel entra numa casa. Não demora a regressar. A viagem prossegue. Vontade de perguntar tanta coisa! Papai Noel responde? O menino fica com medo. Não quer atrapalhar. Outra casa... Mais outra... E o saco vai ficando vazio. Quase fim de noite. Resta apenas um presente. Será o meu? – o menino pergunta. Esperou o ano todo. O velhinho desce do trenó. E demora a voltar. Na verdade, não volta. O menino preocupado. O que aconteceu? As renas se assustam. O desequilíbrio. O menino cai. O vazio... A janela bate com o vento. O menino se acorda. Cadê o presente? Olha em volta. Procura. Casa pobre, muito pobre. Pequena. Quase sem tinta. Uma cama. Cinco pessoas dormem. Papai Noel existe. Não foi assim que ele viu na TV? O coraçãozinho do menino bate forte, muito forte – quase sai do peito. Volta à janela. Uma luz no céu. Então, não é sonho! É o trenó que brilha. O menino sorri. Quer chamar a mãe. Quer chamar os irmãozinhos. Todos dormem. Ele olha de novo. Céu nublado. Escuro. Breu. E o menino fecha a janela. Afasta o bracinho do irmão. Deita-se na cama. Fecha os olhos. Dorme. E não sonha mais.

 

O RENASCER DO NATAL

Luiz Carlos Amorim

Um menino vai nascer,
neste Natal.
Trará consigo a paz,
a pureza verdadeira
e o amor, quase esquecido.
Trará ternura nas mãos,
compreensão e carinho
e esperança no olhar.
Nós sabemos o seu nome.
E nós sabemos, também,
da flor do jacatirão,
que aparece todo ano,
lhe anunciando a chegada.
E quase ninguém a vê...
Um menino vai nascer.
E a flor do jacatirão,
arauto humilde e singelo,
lhe festeja o nascimento,
preparando as boas vindas.
Saberemos nós, os homens,
imitar a natureza?

 

PRESÉPIO DE VIDRO

Por Karine Alves Ribeiro

Esta semana fui a uma exposição de Presépios na Matriz São Paulo Apóstolo na cidade de Gaspar-SC. Coloquei os meus pés na sala com muito respeito, porque desde o corredor que antecede exposição havia uma profunda paz, talvez ou provavelmente, por ocorrer dentro de um templo. Eu estava esperando ver "o mesmo" em presépios e surpreendi-me! Haviam cerca de quinze presépios diferentes, feitos ou adquiridos por diversas entidades religiosas ou não e até mesmo de coleções particulares. Vê-los foi um misto de nostalgia da infância e transe artístico-espiritual. Vi-me em cenas que eu pensava já perdidas na memória, quando eu tinha quatro anos, minha irmã mais nova, três e minha irmã mais velha, sete. Ajudávamos minha mãe a colher as pinhas das araucárias, ainda abundantes na região em que eu nasci (Serra Catarinense) para depois pintá-las com tinta metalizada prateada ou dourada para confeccionar arranjos de mesa e guirlandas de Natal. Quando retirávamos as caixas, cobertas de poeira e algumas teias de aranha, do porão e íamos desdobrando todos aqueles enfeites, e remontando a oito mãos a árvore de Natal.
Meus pais tinham um pinheiro, que para mim foi o mais marcante, feito daquele material dos antigos festões que eu não sei especificar o nome, na cor verde metálico. As bolinhas eram de vários tamanhos e de diversas cores, de um vidro muito fino pintado. Delicadíssimas, frágeis e perigosas. Minha mãe nos auxiliava, nos ensinando a ter cuidado. A estrela que ia no alto da árvore era multicolorida, de várias pontas com uma mais alongada para baixo, linda! E o pisca-pisca também colorido, piscava, piscava, fazendo os meus olhos se encherem de esperança, sem saber por quê? O reflexo dos nosso rostos, meus e de minhas irmãs nas bolinhas, piscando, piscando. A resposta das luzinhas coloridas em nossos rostos, piscando, piscando...
O nosso presépio, sempre depositado ao pé da árvore, era pequeno, de resina, ou gesso, talvez. Eu ficava a olhar as ovelhinhas, a vaquinha e o cavalinho a velar por Jesus tão pequenininho na manjedoura. Queria pegá-las (as peças do presépio) na mão, e quando minha mãe não estava por perto, eu pegava mesmo! Era como uma casinha de bonecas, porém sagrada. Os três reis magos eram os meus preferidos, ficava por longos minutos a olhar as suas roupas coloridas, tentando identificar o que eles traziam nas mãos. De Maria e de José, eu observava as vestes longas, ele com semblante feliz e um pouco cansado, vestia marrom, ela com a serenidade sublime de mãe a resplandecer no seu rosto, exaltado pelo véu branco e azul cobrindo os seus cabelos. E o pequenino, Jesus, o bebê sobre as palhas, era feliz, simplesmente, com os bracinhos abertos, esperando o primeiro abraço. Esta foi a parte nostálgica, que entrou em êxtase vendo os presépios feitos de juta, papelão, fibra de bananeira, resina, gesso, tecido, isopor e... Surpreendentemente, o vidro! Isto mesmo, os animais, os reis magos, Maria e José, feitos de cacos de vidro e espelho!
Aquilo chocou-me! Cheguei a dar um passo para trás... Susto, medo, para observar melhor? Observei, dei um passo dois de retorno e pela vitrine que antecedia aquela arte, vi o presépio através dos cacos. A cena do nascimento de Jesus, numa beleza que eu nunca tinha visto antes. Os personagens brilhavam, o chão inteiro forrado grossamente de cacos de vidro e espelho, como dunas translúcidas permeando o que era infinito. Ao fundo, nas paredes, um tecido verde com fios prateados, que refletia nos espelhos quebrados, reforçando ainda mais a plenitude da imagem. Os cacos de vidro da delicadeza e da esperança do momento, em que nascia o Salvador e Guia Maior do nosso mundo! Os cacos de vidro da pureza transparente daquelas almas, os atores principais: pai, mãe e filho (de Deus)! Os cacos de vidro que aliado à cruz e espinhos dilaceraram aquele mesmo coração, quando cumpriu, muito mais do que uma missão, aos trinta e três anos de idade! Os cacos de vidro que nós, seus irmãos, lhe oferecemos por mais de dois mil anos, até hoje, com a nossa violência atroz e egoísta! Os cacos de vidro que com um pouco de "cola amorosa" ainda podemos juntar para refazer o nosso caminho em direção à nossa verdadeira natureza: a do Amor que nos criou!
Lágrimas cortantes como vidro começaram a descer dos meus olhos... Crescemos e nos esquecemos do verdadeiro sentido do Natal, vemos tanta coisa pronta, mal feita e articulada e nos deixamos levar pelo trem acelerado de nosso dia-a-dia mortífero. Esquecemos que o instante que temos hoje é um pequeno pedaço de vidro finíssimo e delicado que contém a possibilidade única de nos tornar mais que apenas uma semelhança.

 

RENASCIMENTO

Luiz Carlos Amorim

Há um raio de luz
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.
É a vida ressurgindo,
é o Natal do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus!

 

 

QUEM ME DERA

(Erna Pidner)

Quem me dera ser criança
Numa noite de Natal;
Cheia de fé, esperança,
Alegria sem igual.
Um sorriso inocente
Aguardando meu presente
Com muita ansiedade,
Ares de felicidade!
Querido Papai Noel
Eu teria um olhar brilhante
Um coração palpitante
Um sorriso terno e doce
Por menor que ele fosse;
Sabendo que seu valor
Seria medido com o amor
Que trarias lá dos céus
Ao romperem-se os véus
De tanta maldade humana
E de tanta mente insana
Voltando a justiça a reinar
e a paz a imperar!

 

 

NATAL MENINO

(Luiz C. Amorim)

Natal é o renascimento
da esperança e da vida;
é um abraço, um sorriso,
um sentimento maior.
É a ternura
de um menino nascendo,
é uma estrela apontando
a direção do futuro...

(Poema escolhido pela empresa Bunge Alimentos para entrar nos lares brasileiros através da embalagem da margarina Vitapalma)

 

 

CRIANÇAS SEM NATAL

Por Luiz Carlos Amorim

Recentemente, eu e minha esposa fomos levar donativos para uma creche na periferia da cidade, pois eles sobrevivem com a ajuda da comunidade. Não é uma entidade municipal ou estadual, a ajuda oficial é quase nada, apenas paga um ou outro professor, então eles precisam que a sociedade colabore e de tempos em tempos a gente vai lá levar um pouco de comida - dez, quinze quilos de frango, arroz, biscoitos, leite, massa, etc. Coisa pouca, que dá para alimentar poucas vezes tantas crianças.
A maioria dos funcionários da creche é composta de voluntários e eles são poucos para a grande quantidade de crianças que são atendidas. Com certeza, mais de duas centenas delas, com idade a partir de poucos meses até cinco ou seis anos, que ficam lá o dia todo. Mas eles atendem também crianças em idade escolar, que ficam lá meio período.
As instalações já foram de madeira, até um ou dois anos atrás. Hoje o prédio é quase todo de alvenaria, ainda que o estado geral seja um pouco precário, pela falta de recursos. É uma casa bem grande. Falta ainda parte do telhado, que não se conseguiu ainda o dinheiro para fazê-lo, então algumas dependências, como o refeitório, que está só com a laje de cobertura, tem infiltrações quando chove.
Como já disse, falta pessoal. A gente percebe, quando vai passando de sala em sala e vê a quantidade de crianças em cada uma: mais de vinte, talvez mais de trinta em alguma e apenas duas pessoas cuidando de cada turma, raramente três. E olhem que algumas salas, como já mencionei, têm crianças pequenas, de colo, ou engatinhando, ou começando a andar, que tem que ser alimentadas com mamadeira, tem que ser trocadas de tempos em tempos, tem que ser olhadas e cuidadas continuamente.
Elas estão ali porque seus pais têm que trabalhar e não têm com quem deixar seus filhos, então essa creche é a sua salvação, uma alternativa de sobrevivência. São pessoas carentes que dependem daquela casa.
Fico pensando nestes pais e nessas crianças, que quase não convivem, pois mal se vêem no final do dia. Como será o seu Natal? Andei pela creche e não prestei atenção a não ser nas crianças, nem atentei para os enfeites natalinos, se havia ou não.
Já é final de novembro, os apelos comerciais da grande festa já pululam por todo canto, mas ali o Natal parece que ainda não havia chegado.
Aquelas crianças terão um Natal? Certamente não ganharão presentes vários - brinquedos, roupas novas, calçados, guloseimas, nem a ceia natalina talvez tenham, como as crianças de classe média cá de fora. Muitas daquelas crianças nem saberão que não tiveram Natal, porque não tem idade para entender.
Elas aprenderão o significado do Natal, pelo menos aquelas um pouquinho maiores, de três, quatro, cinco anos? O Menino que vem todos os anos, nesta época, motivo das comemorações, nascerá na casa dessas crianças? Com certeza sim, mesmo que elas não saibam ainda. Mas os seus pais, na ferrenha luta pela subsistência, conseguirão mostrar a elas que o nascimento de um Menino mágico e encantado, que sempre vem, é para todos, inclusive para elas?
Esse esclarecimento, que elas merecem, não é, no entanto, responsabilidade apenas dos pais. É um compromisso de todos nós, cristãos, é um compromisso da sociedade. E podemos honrar esse compromisso, essa responsabilidade, não deixando que um trabalho como esse, de cuidar de crianças cujos pais precisam trabalhar, acabe descontinuando por falta de ajuda, por falta de apoio.
Feliz Natal a todos aqueles que têm boa vontade e se preocupam com o próximo, não apenas consigo mesmo.

 

 

PAPAI NOEL

(Rosângela Borges)

Desculpe, Papai Noel.
É que há alguma coisa estranha..
Jamais pensei
chamar-te padrasto.
Mas é que há
Um Padrasto Noel
Descendo pelos becos
Sem saídas da vida
E colocando
Disfarces e pretensões
No meu estranho
Presente de Natal.
Desculpe, Papai Noel.
Jamais pensei
Chamara-te Padrasto,
Mas agora, não ligo;
Não há lugares suspeitos
há estranhos silêncios
Sangrando e colorindo
Meus presentes
E disfarces de Natal!
Desculpe, Papai Noel...

 

 

O guru Papai-Noel

Vânia Moreira Diniz

www.vaniadiniz.pro.br

Quando se aproxima o natal,
Luzes a clarear tantas ruas,
O colorido a embelezar as cidades,
Encontro em mim uma esperança.

Que papai-noel possa entender,
O quanto é difícil viver cada dia,
Tentando receber tantas dádivas
Quando mãos estão vazias.

Quando se aproxima o natal.
Vozes de crianças a gritar
O brilho em muitos olhos infantis
E as lágrimas para os que têm fome.

Papai-noel, o guru de nossa infância,
Símbolo de sonhos indiscriminados,
Decepção quando sabemos a verdade,
A desilusão de horas fascinantes.

Quando o natal se aproxima,
O homem que em séculos se eternizou,
Está nas lojas em suas roupas vermelhas,
Barbas brancas a sorrir para a criançada.

E aqueles que não são visitados,
Quem nem chegam por certo até ali,
Nos grandes shoppings e lojas,
A não entender o mistério da ausência.

Papai-Noel mito da minha infância feliz
Porque não ofertas pelo menos um carinho,
Nesse vale de misérias e fome
Que pelo mundo se estende?



DEZEMBRO

Fátima Soares Rodrigues

É mês de final,
De Natal,
De envolvimento.

É mês de fartura,
De labuta,
De esbanjamento.

É mês de ternura,
De formatura,
De encantamento.

É mês de serão,
De verão,
De entretenimento.

É mês de ação,
De participação,
De reconhecimento.

É mês de alegria,
De família,
De contentamento.

É mês de fé,
De fincar o pé,
De engajamento.

É mês de retorno,
De consolo,
De renascimento.

É mês de paz,
De ser capaz,
De comedimento.

É mês de Jesus,
De muita luz,
De enternecimento.

Dezembro é mês
De se preparar
Para recomeçar.

 

O PRESÉPIO E O NATAL

Por Luiz Carlos Amorim

Fiquei feliz ao ver, no final do mês de novembro, o anúncio de um grande jornal prometendo dar de brinde aos leitores um presépio. Um presépio para colorir e montar, isto é: dirigido principalmente às crianças.
Entusiasmei-me com a idéia, porque um presente como este vem de encontro a uma preocupação que já foi assunto de uma outra crônica minha: as nossas crianças precisam ser esclarecidas, desde bem cedo, sobre o significado do Natal. Precisamos ensinar-lhes que o Natal não é simplesmente uma data para se ganhar brinquedos de Papai Noel. E que melhor maneira do que um presépio? Ele é a representação, com todos os detalhes, do nascimento do menino que veio para trazer esperança e fé a todos aqueles que viessem depois dele. Aquele menino que nasceu há mais de dois mil anos, o filho de Deus, que espalhou amor, ternura, compreensão e fraternidade e que morreu para salvar cada um de nós.
Com certeza é uma boa oportunidade para contarmos às nossas crianças a história do menino que nasceu numa manjedoura em Belém, se elas puderem interagir, pintando as figuras das personagens, montando o cenário da mais bonita história da humanidade.
É a grande motivação para mostrar aos pequeninos - e não só a eles - que Natal não se resume a presentes, Papai Noel, árvores enfeitada, guloseimas e roupa nova, coisas que nem todos podem ter. O que todos podemos fazer é festejar o aniversário de Cristo-menino, se conhecermos a sua história.
Por isso, é tão importante que tenhamos um presépio para montar, por mais simples que seja. Que mais jornais, revistas, etc., possam oferecer presépios para que todos aprendam o verdadeiro significado do Natal e para que amanhã, nossas crianças não sejam adultos que deixarão a magia desta época se acabar.
Porque na verdade nós, adultos, estamos deixando a magia e o encantamento do verdadeiro Natal, da comemoração do aniversário daquele menino se perder.
Então, presépio serve também para nós aprendermos com as nossas crianças que Natal não é essa festa consumista que estamos vivendo. Que há um menino querendo nascer, mais uma vez, no coração de todos nós. Abramos as portas dos nossos corações e far-se-á o Natal.

 

PRECE DE NATAL

(Else Santana Brum)

Cristo,
Quero que o teu Natal
Não seja um dia apenas
E que os homens
vejam sempre
A tua estrela brilhando,
Iluminando o seus corações.

Que cada coração
Se faça manjedoura
Para te receber
com humildade,
ternura e devoção.

Que os seus braços, Senhor,
Saibam erguer-se aos céus
cheios de fé,
Uma fé forte, verde,
verdinha e esperançosa
Como os ramos
dos pinheiros
Iluminados com as velas
Coloridas de alegria,
Enfeitados com bolas
de amor.

Que os seus lábios, senhor,
Sejam como os sinos
Exaltando-te em cânticos
Da maior gratidão,
Com a alma festiva,
Bimbalhando em sorrisos,
Por saberem-se amados,
Tão amados
que mereceram o teu Natal!

 

 

NAQUELA GRUTA

(Else Sant’Anna Brum)

Naquela gruta tão fria
Havia o calor materno
Da doce e meiga Maria.
havia o clarão brilhante
De um astro nunca antes visto
Que só veio iluminar
O nascimento de Cristo.
A criancinha tão loura
Deitada na manjedoura
Teria um nome: Jesus!
Tão inocente a sorrir
Já lhe esperava um porvir
O lenho ingrato da cruz!
Há corações que parecem
Com aquela gruta fria,
Falta o calor de Maria
E da estrela o clarão
Para que nasça o Cristo
Trazendo a salvação!

 

 

Prece de Natal

Angela Togeiro


Mais um ano, mais uma vez no céu
a estrela de Belém está presente,
para anunciar o Natal.

Menino Jesus, minha prece
é canto de louvor
que fiz para Ti saudar.
Canto, também, por alguém
que quer Te agradecer
por uma benção, uma luz
que de Ti já recebeu.
Canto, também, por um outro alguém
que quer Te implorar
por uma cura, uma ajuda,
ou um alguém para amar.
Canto pedindo para o mundo
fim da guerra, fim da fome,
fim da doença, fim da violência,
fim do ódio entre credos,
entre povos, entre irmãos.

Menino Jesus, toda vez que é Natal,
vejo o mundo sorrindo,
entregando-se a Ti,
para então, ser feliz,
recebendo o Teu amor
vivendo na Tua paz.
Minha prece,
pedindo, agradecendo ou Te louvando,
é a expressão do meu amor,
que canto nos meus versos,
para Te saudar no Teu Natal.

Meu doce Menino Jesus:
Bem-vindo às nossas almas.
Feliz Natal! Feliz Ano-novo!

 

 

 

OLHA AÍ O NATAL!

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor

E termina novembro, dezembro vai chegando, o Natal está aí. De repente começo a notar a decoração natalina nas ruas, nos prédios, em todo lugar, a publicidade na televisão e nos jornais apoiadas em músicas natalinas e em Papai Noel e me dou conta de que amanhã é Natal. (Esqueci de dizer que o jacatirão nativo florescendo nas matas é um forte indício de que o final de ano está próximo - quando é que vou parar de falar em jacatirão?)
Eu não deveria me surpreender, pois há meses estou escrevendo meu livro de contos de Natal - ainda tenho uns dois ou três para terminar - então meio que estava no clima, mas essa festa de sons e cores que antecedem a data que comemora o nascimento daquele Menino que vem pra gente, sempre nessa época, ainda que a data tenha sido transformada em festa meramente comercial, me acordam para o final do ano.
E por falar em música natalina, sou o maior entusiasta dessa música, tenho até um poema de Natal meu que foi musicado por compositor pernambucano, "O Natal que eu quero". Ele gravou e mandou pra mim.
Há uma meia dúzia de anos eu catei músicas de natal brasileiras, mais aquelas importadas clássicas, nossas conhecidas, mais algumas portuguesas e de outros países, mais aquela minha, que citei acima e fiz um CD, que dei de presente por anos a fio.
Devo repetir o presente este ano e dá-lo de presente também para os leitores que comprarem meu "Livro de Natal", coletânea de contos, crônicas e poemas sobre a data.
Ah, o meu livro de contos de Natal não é para este ano, é para o próximo. Só preciso terminá-lo este ano e esta é uma boa época para isso. Hoje, inclusive, me ocorreu um bom argumento para mais um conto. Vamos ver no que dá.
Então estamos quase no Natal, gente. Precisamos tentar não esquecer o que ele significa. Desde já, Feliz Natal pra todos.

 

 

EXPLOSÃO

Luiz Carlos Amorim

É dezembro,
é verão, é Natal...
Explode com força a cor
da flor do Jacatirão:
pétalas de esperança
colorindo o futuro...
Sinal de vida, ainda,
a luz do nosso caminho

 

 

 

O NATAL QUE EU QUERO

Luiz Carlos Amorim

Quero o Natal completo

e por inteiro,

verdadeiro.

Quero o Natal pulsando

em mim e em todo ser;

Quero o Natal nos olhos,

luz a colorir a vida,

a semear a paz;

Quero o Natal nas mãos,

carinho a semear ternura;

Quero o Natal nos lábios,

canção a propagar a f'é.

Quero o Natal no coração,

multiplicando amor,

presente maior que posso

 

 

 

Novo Natal


Fernando Tanajura Menezes

Todos os dias
nasce um Natal em mim

Não o natal
dos shoppings
da coke light
do novo jeans
das french fries
do souvenir

Não o natal
de griffe
de Calvin Klein
de nome Gucci
dos mitsubishis
dos sons da Sony

Todos os dias
nasce um Natal antigo
de humildade
de simplicidade
de paz na terra
de boa vontade

 

UM PRESÉPIO NO MEU CORAÇÃO

Angela Togeiro

Não é dia. Não é noite.
Na manjedoura do meu coração
o Menino Jesus dorme,
acalentado por José e sua Mãe Maria.
A estrela guia que Deus nos mandou
brilha, brilha no céu de minha alma,
dissipando as trevas,
enchendo-me de luz e de paz..

O planeta se junta a mim,
a natureza é uma sinfonia de louvor.
As flores perfumam o ar. As águas marulham.
Os frutos amadurecem.
O vento canta suave,
ninando um broto que nasceu da terra.
O galo a boa nova já cantou.
Aos poucos, animais, pastores, reis magos,
e as gentes, todos unidos e extasiados pela Luz,
vao chegando para se entregar
Àquele que sabem é o Salvador.

Menino Jesus, tão puro e inocente,
é a semente da redenção,
da fraternidade, da caridade e do amor
que se espalha pelo mundo.
Menino Jesus, tão frágil, tão indefeso e tão total,
é o espírito de Deus feito no homem,
destino sem igual, levar-nos de volta
para a Casa do Pai.

Não é dia. Não é noite.
Na manjedoura do meu coração,
o Menino Jesus dorme.
Não é noite. Não é dia.
É Natal!


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